09 de julho de 2026
Cultura

Energia positiva e crítica social

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

Desde o sugerido banho de cachoeira para sentir a sensação de “sua alma sendo purificada por inteira” há sete anos, a banda Planta & Raiz galgou importantes passos no cenário brasileiro do reggae. Pregando a “Positive Vibration”, característica do reggae roots, os músicos chegam ainda mais confiantes ao quarto trabalho de estúdio e o quinto da carreira, “Qual é a Cara do Ladrão?”, lançado no mês passado pela Universal Music.

“É um disco que tem muito, muito, muito da gente!”, diz por telefone ao JC Cultura o vocalista da banda, Zeider. Com 80% das gravações feitas ao vivo num estúdio, o CD traz a energia do momento. “O lance de gravar todo mundo junto, um olhando pro outro, registrou a força da banda”, explica o músico.

Ao incrementar o reggae com as demais referências que surgiram ao longo dos anos, Planta & Raiz faz um som em que Bob Marley é acompanhado de Gilberto Gil, Jorge Benjor, Elis Regina, Tom Jobim e o mexicano Santana. “Nosso som tem total influência de outros. Você se alimenta, joga tudo no liqüidificador e depois faz uma vitamina”, compara o vocalista.

As letras são “paz e amor” e também de crítica social. “O reggae é espiritual, mas também é o lugar do protesto”, explica Zeider. Os questionamentos políticos estão explícitos na faixa-título, “Qual é a Cara do Ladrão?”, “Senhor Presidente” e “Eu também faço o meu jogo”, onde eles perguntam: “O que é mais importante para você: a liberdade ou o poder?”.

Músicas melódicas - como “Eu nasci pro amor”, “Love is Free”, “Uma flor nos seus cabelos” - são intercaladas pelo reggae raiz de “Segue a vida” e “Esse é o tamanho do meu coração” e o reggae roots de “Role Consciente”.

Com shows em todo o País, o grupo planeja voltar a Bauru (onde esteve em abril deste ano) para divulgar o novo trabalho. “Estamos tocando legal o Brasil inteiro. Em Bauru fizemos um show maneiro e acredito que em breve a gente volte”, coloca Zeider.

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Evolução

Entre o primeiro single independente, “Que Brota da Terra”, de 2000, e o último trabalho, o grupo foi atrás da evolução. “A gente foi atrás da música, procurou entender melhor o instrumento de cada um. E também tem o lance da vida, né, da vivência fora do palco, do relacionamento como banda, com a família e com Deus”, diz o vocalista, Zeider.

Com uma apresentação marcada na Feira da Vila Madalena, em São Paulo, em 1998, Zeider juntou seu gogó à guitarra de Fernandinho e ao baixo de Samambaia e tiraram algumas músicas de Bob Marley. Logo, o trio virou sexteto com a entrada de Franja na guitarra solo, Cuio na bateria e Juliano na percussão.

O primeiro disco vendeu 15 mil cópias e credenciou a banda a tocar com ícones do gênero, como Gregory Isaacs, The Wailers, The Culture, Natiruts e Tribo de Jah. O segundo CD, “Este é o Remédio”, de 2002, foi o passo adiante: pularam de 15 para 80 mil cópias vendidas. Foi neste ano que o tecladista Osvaldinho se juntou ao grupo como músico convidado.

Em 2004, “De Cara para o Mundo” conquistou 165 mil cópias e, no ano seguinte, o grupo subiu ao palco para gravar o CD e o DVD “Planta & Raiz ao vivo”. A produção, de Rick Bonadio, contou com a participação de Chorão, Evandro Mesquita e Rappin Hood.