09 de julho de 2026
Polícia

Adolescente confessa participação em homicídio de rapaz no Jd. Estoril

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Um adolescente de 16 anos confessou ter participado do homicídio do especialista em informática Márcio Fernandes dos Santos, 32 anos, que morava no Residencial Parque das Camélias, ocorrido anteontem à noite no Jardim Estoril, em Bauru. O menor, que foi apreendido, disse à polícia que, junto com Bruno Machado Garcia, 18 anos, tentou assaltar a vítima, que reagiu. Então, seu colega atirou, acertando-o na altura da clavícula. No segundo disparo, Santos foi atingido na cabeça e morreu no local.

O delegado titular do 3.º Distrito Policial, Silberto Sevilha Martins, afirma que, apesar da autoria do homicídio estar esclarecida, a Polícia Civil ainda investiga as circunstâncias do crime. Martins conta que o adolescente confessou que ele e Garcia saíram da Vila Zillo, onde moram, com o objetivo de realizar um assalto. No percurso teriam avistado o Palio de Santos, que teria estacionado na quadra 19 da rua Alfredo Ruiz para atender o celular.

Garcia, que estaria armado com um revólver, teria anunciado o assalto e entrado no carro. De acordo com o adolescente, Santos reagiu e passou a lutar contra o rapaz, enquanto o adolescente dava a volta no veículo. Foi quando houve o primeiro disparo. O tiro atravessou o vidro do veículo e acertou o peito do adolescente, na altura da clavícula esquerda. A vítima e Garcia continuaram brigando, quando o jovem disparou novamente, atingindo a cabeça da vítima.

O adolescente foi até o Pronto-Socorro Central (PSC), onde inicialmente contou uma história sobre o ferimento. Ele disse que estava caminhando por uma rua da Vila Zillo quando escutou um barulho, que acreditou ser um rojão. Percebeu que tinha sido baleado e foi até a sua casa antes de procurar a unidade de urgência e emergência. Questionado pelos policias, acabou revelando o crime e apontou a participação de Garcia.

Ao contrário do que foi publicado ontem, não há indícios da presença de um a mulher na cena do crime. A Polícia Técnica está analisando a mancha de sangue encontrada dentro do carro, uma vez que o corpo do especialista em informática foi encontrado fora do carro. O calibre da arma também não foi identificado. A bala que atingiu Santos ficou alojada em sua cabeça. De acordo com a família da vítima, a alça de silicone de um sutiã encontrado no carro pertencia à mãe de Santos, que estava se preparando para viajar para a casa das filhas.

Martins informa que essa versão ainda será investigada pelos policiais. “A polícia tem com reserva essa informação e trabalha para apurar o crime”, destaca. Hoje, o delegado espera tomar conhecimento da versão de Garcia. “O advogado dele me ligou e garantiu que ele se apresenta amanhã (hoje)”, diz. O delegado informa que o adolescente, que até a noite de ontem permanecia em estado regular na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital de Base, foi indiciado como co-autor do homicídio e ficará à disposição da Justiça.

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Família

Na manhã de ontem, o corpo do especialista em informática Márcio Fernandes dos Santos, morto com um tiro na noite de anteontem em Bauru, foi enterrado em Piratininga. Para João Luís de Oliveira Fernandes, tio da vítima, perder um parente dessa forma abalou toda a família. Há cerca de 15 anos, Santos mudou-se com a família de Piratininga para Bauru. Ele estava concluindo um curso de pós-graduação.

João Luís conta que o sobrinho saiu da casa de sua mãe, no Residencial Parque das Camélias por volta das 21h45 de anteontem, para ir a casa de uma amiga no Jardim América. Ele ressalta que Santos era uma pessoa tranqüila, por isso desconhece o que levou o sobrinho a reagir. “Não sabemos a condição da luta, mas ele estava muito esfolado”, conta. “Não sabemos o que o levou a reagir”, diz.

João Luís destaca que Santos e toda a família são bem próximos e desconhece o envolvimento dele com qualquer tipo de problema. “Ele não tinha vícios. Era uma pessoa bem sensata”, recorda. Ele conta que apesar dos acusados do crime terem sido identificados, a dor é muito grande. “Nunca mais vai ser devolvido o que nos foi tirado”, lamenta. “Parece que o chão sai do pé da gente. O que mais choca é o preço que custa uma vida”, diz.

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Versão apresentada

• Um adolescente de 16 anos e Bruno Machado Garcia, 18 anos, saíram da Vila Zillo para praticar um roubo. No caminho, encontraram o veículo de Márcio Fernandes dos Santos, que teria estacionado para atender o celular

• A dupla anunciou o assalto. Ainda dentro do carro, Santos teria reagido e passou a lutar contra Garcia, que estava armado e teria disparado. O primeiro tiro acertou o menor na altura da clavícula, quando ele dava a volta no veículo

• Garcia teria disparado de novo, acertando Santos na cabeça. Ele morreu no local. Os rapazes fugiram. Ferido, o adolescente procurou atendimento no Pronto-Socorro Central, onde confessou a participação no crime