09 de julho de 2026
Bairros

Bauru terá ‘Pente-fino’ da dengue

Por Ieda Rodrigues | Com Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Bauru está na nova lista de 78 municípios onde a Secretaria do Estado da Saúde vai realizar a “Operação Pente-fino” contra a dengue. Neste ano, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, Bauru totaliza 1.321 casos de dengue, sendo 1.247 autóctones - contraídos na própria cidade - e 58 importados – pacientes infectados em outras localidades - e 16 em trânsito. A operação, uma espécie de mutirão, começou no primeiro semestre, em localidades de maior infestação da doença.

O objetivo é agir nos próximos três meses, durante o período de “entressafra” do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, para evitar que a doença retorne com força no próximo verão, segundo informou a assessoria de imprensa da Secretaria do Estado da Saúde. Os mutirões começam neste mês, mas ainda não há previsão de quando será em Bauru, que, assim como as outras 77 cidades da lista, é considerada foco de dengue no Estado.

Todas as cidades da lista tiveram grande número de casos ou alta incidência de dengue nos últimos três anos. Também serão incluídos municípios que ainda registram transmissão da doença nesta época de frio, que é o caso de Bauru, além de locais turísticos, com grande fluxo de pessoas ao longo do ano.

Para reforçar esta ação, a Secretaria de Estado da Saúde acaba de contratar 110 profissionais, dos quais 90 desinsetizadores, que integrarão o quadro fixo da Sucen. Além disso, serão colocados à disposição dos municípios equipamentos de combate à dengue, incluindo 30 novos carros e 30 borrifadores costais, recém-adquiridos especialmente para esta operação.

A Secretaria do Estado da Saúde informou que irá entrar em contato com a secretaria de saúde de cada cidade da lista para verificar quais são as dificuldades no combate ao mosquito, prestar orientação e, se necessário, deslocar uma equipe estadual, o chamado “Esquadrão Anti-Dengue”, para aplicar insenticida para matar o mosquito Aedes adulto.

Dentre os trabalhos que serão realizados durante a operação, estão o controle de imóveis estratégicos (cemitérios, depósitos, ferros-velhos e prédios comerciais, por exemplo), auxílio na visita casa a casa, levantamento do nível de infestação de larvas do mosquito e ações para bloquear a transmissão da doença.

Além de Bauru, da região também integram a “Operação Pente-Fino” Botucatu, Jaú, Lins, Marília e Ourinhos. Em Bauru, a Secretaria Municipal de Saúde conta com mais de 120 agentes de saúde distribuídos entre os serviços de orientação, visitas domiciliares à procura de criadouros do Aedes e nebulização dos bairros onde houve o registro da doença.

Na última sexta-feira, a Secretaria Municipal de Saúde informou que, por orientação do Governo do Estado, voltou a coletar sangue de pessoas sob suspeita de dengue para fazer teste visando a comprovação ou não da doença. A coleta de sangue estava suspensa desde o dia 12 de junho, por determinação da Secretaria de Estado da Saúde, em razão de Bauru ter atingido coeficiente maior que 300 casos de dengue por 100 mil habitantes.

Neste ano foram registrados no Estado de São Paulo 62.221 casos de dengue. O clima quente e chuvoso do verão, aliado à circulação mais intensa do vírus tipo 3 da dengue e à proximidade com o Estado do Mato Grosso do Sul (que vive a pior epidemia de sua história), são os principais motivos para o cenário paulista atual.

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Traumatizada

A estudante Kamila Passos, 21 anos, ficou tão traumatizada por ter contraído dengue em abril passado, que agora não dispensa repelentes e inseticidas em casa. “É uma dor insuportável. Dói até para dobrar o dedo”, lembra. Passos não sabe onde pegou dengue - na época, viajou para o litoral, onde havia alta incidência da doença. “Mas onde eu trabalhava e onde eu moro, também havia focos”, conta.

Ela afirma que não recebeu o resultado do exame, mas devido aos sintomas, o médico fez o tratamento para dengue. “Eu tinha muita dor de cabeça, no fundo dos olhos e nas articulações. Também tive muito vômito. Cheguei a emagrecer três quilos em uma semana”, lembra. De acordo com a estudante, os sintomas duraram cerca de 20 dias, período em que ela só pode tomar o analgésico Tylenol.

Em sua casa, no Jardim Marambá, Passos afirma que toma todos os cuidados para se prevenir contra a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença. “Além disso, o pessoal do controle passa direto em casa”, destaca.

Depois de já ter contraído a doença, Passos afirma estar um pouco apreensiva. “Dá receio porque, se tiver novamente, a chance de ser hemorrágica é maior”, conta. Por isso, está implacável contra o mosquito. “Agora, vivo à base de repelente e inseticida”, revela.