09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Entressafra ameaça preço do álcool

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 2 min

É bom os motoristas começarem a preparar o bolso, principalmente aqueles que têm carro a álcool. Com a aproximação do período de entressafra da cana-de-açúcar a partir de outubro, o preço do combustível, conseqüentemente, deverá subir. Empresários do setor prevêem alta não tão significativa como a registrada no ano passado, mas acreditam num aumento que não passará despercebido pelo consumidor.

“No ano passado, o álcool chegou a R$ 1,69 na bomba. Talvez, agora em 2007 não chegue a esse patamar, mas que vai subir, tenho absoluta certeza. É natural, toda entressafra é assim”, comenta José Garcia Júnior, dono de postos de gasolina em Bauru e Pederneiras.

Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru, Wagner Siqueira, os preços devem oscilar a partir do mês que vem, mas sem grandes impactos para o bolso do consumidor. “A quantidade de álcool que tem (para abastecer o mercado interno) é muito grande. O governo aumentou a produção, mas não está exportando”, pontua.

Na opinião de Garcia, apesar de estar “sobrando” álcool no País, o preço do combustível não permanecerá estável. “O estoque que tem não será suficiente para cinco meses. A produção só começa novamente em abril. O preço pode não se elevar tanto quanto em 2006, mas vai subir”, enfatiza.

Atualmente, em Bauru, a diferença de valores do álcool entre os postos de gasolina chega a R$ 0,23, segundo o Sincopetro, que atribui o cenário à guerra de preços praticada no município já há algum tempo. Além disso, o sindicato alega que o preço de compra do combustível varia bem pouco entre as companhias, o que favorece preços mais atrativos para o consumidor.

Siqueira, no entanto, alerta para a qualidade do produto. “Não dá para vender nesse preço. Tem posto vendendo o litro do álcool a R$ 0,89. Nesse preço, não é possível nem pagar as despesas da empresa”, comenta.

Confiança

A recomendação é que o consumidor opte por abastecer no posto de sua confiança, independentemente da diferença de preços entre os postos de combustíveis.

“Não dá para garantir qualidade nenhuma, porque o preço que está sendo praticado nessa guerra é impossível, é um preço de custo. O consumidor tem de ficar atento. Nem sempre preço baixo significa qualidade. Você paga barato pelo produto, mas poderá ter uma despesa de manutenção do veículo bem maior no futuro”, ressalta Siqueira.

A mesma cautela deve ser adotada pelos motoristas que têm veículo a gasolina. O combustível está sendo comercializado no município por até R$ 2,12. “Não dá para pagar nem a água e a luz do posto”, opina Siqueira.

Para a advogada Elaine de Oliveira, o preço do álcool poderia estar ainda melhor. Ela diz que sempre procura abastecer nos postos que oferecem o melhor preço, na tentativa de economizar.

“Como trabalho com o meu carro, procuro sempre o melhor preço. Quando sobe fica complicado, porque não tenho como abastecer menos. Acabo tendo que gastar mais”, completa.