08 de julho de 2026
Nacional

Leite já subiu até 185% desde 1997

Folhapress
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São Paulo - O preço do leite, longa vida ou in natura, registrou alta bem acima do Índice do Custo de Vida (ICV) nos últimos dez anos, sobretudo nos oito primeiros meses deste ano, segundo estudo divulgado ontem pelo Dieese. Entre os motivos estão o aumento da demanda, interna e para exportação, e a desaceleração da produção.

De 1997 a agosto de 2007, o ICV registrou alta de 101,16%. O preço do leite longa vida integral, no entanto, subiu 185,09% e do desnatado teve aumento 164,08%. Já o leite in natura subiu 158,74% no mesmo período.

De janeiro a agosto de 2007, O ICV apresentou índice de 2,72%, taxa superior à verificada no mesmo período de 2006, quando ficou em 0,91%. Segundo o Dieese, o principal motivo do aumento é a alta dos alimentos, sobretudo a verificada nos preços do leite, cujos reajustes chegaram a atingir 61,10% no subgrupo do leite longa vida integral.

Para setembro, a estimativa da Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) é que os preços do produto continuem subindo, mas de maneira menos acentuada.

Os preços internos, nestes dez anos e oito meses, tiveram reajustes inferiores ao índice do ICV na maioria dos tipos de leite, exceto em 1999 e 2002, quando os reajustes foram bem superiores. Em 2007, no entanto, a alta generalizada de todos os tipos de leite levou a um forte descolamento dos preços em relação ao patamar inflacionário.

Entre 1996 e 2005, a produção brasileira de leite, em milhões de litros, cresceu em média 2,87% ao ano, segundo pesquisa do Dieese com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Este crescimento não foi uniforme. Em 1997 (0,82%) e 1998 (0,15%), foi muito baixo. Nos anos seguintes aumentou, chegando ao máximo em 2002 (5,52%). Nos anos subseqüentes, o ritmo da produção diminuiu, chegando a 2005 - o último dado da série - com menor crescimento (4,67%).

Outro dado é a distribuição da produção de leite entre as cinco regiões do País. O Sudeste responde em média por 42,2% da produção, seguido do Sul (25,0%) e do Centro-Oeste (15,4%). Juntas, as regiões têm participação média de 81,6%. Apesar da falta de dados sobre a produção de leite para 2006 e 2007, segundo o Dieese, a quantidade não apresenta tendência acentuadamente crescente em sua oferta.