Vida mansa, água limpa, prainhas, corredeiras e um grande trecho de rio represado. Piraju, na seqüência de Avaré, é uma das cidades mais agradáveis do trecho paulista cortado pelo rio Paranapanema. Que o diga Flávio Miranda, que numa breve passagem a trabalho pela cidade se encantou com o lugar.
Convidativa por conta da pequena distância de Bauru e por tratar o turismo e o meio ambiente como coisas sérias e com jeitinho de interior, a cidade tem ladeiras a perder de vista, ruas limpas, comércio agitado, praças bem conservadas, azaléias multicoloridas, uma igreja imponente lá no alto e o rio, claro.
Um rio que, ao mesmo tempo em que divide os dois Estados, São Paulo e o Paraná, une as pequenas e surpreendentes cidades que usam sua água para a sobrevivência e como atrativo turístico. Enfileiradas, arrumadinhas, sempre aguardando novos visitantes.
Piraju, à primeira ou muitas outras visitas, agrada. Assim como suas vizinhas pequenas, agradáveis: Itaí, Cerqueira César, Manduri, Ipauçu, Bernardinho de Campos...
De Avaré a Piraju, pela rodovia Raposo Tavares, são 33 quilômetros. Piraju fica no sudoeste do Estado de São Paulo, no eixo do circuito Ipaussu, Timburi, Bernardino de Campos, Sarutaiá, Fartura, Carlópolis e Tejupá. Por conta do rio Paranapanema e das usinas que o represam, justifica seu nome pela quantidade e diversidade de peixes em suas águas. O nome Piraju, de origem indígena, significa “peixe dourado” em guarani.
E ele é o símbolo do município, com direito à estátua no portal de entrada. O monumento Peixe Dourado é um dos cartões postais da cidade, que recebe bem os visitantes, distribuindo-os em campings, hotéis e pousadas charmosas, como a Pousada Campo Mourão, acesso para suas cachoeiras.
Conta com restaurantes e lanchonetes, alguns estrategicamente construídos à beira do rio. Caso do Pirabar Restaurante, na praça Benedito Silveira Campos, ao lado da Marinha e do atracadouro de barcos.
Durante os finais de semana, sábados e domingos, duas embarcações se revezam, levando e trazendo turistas e moradores da cidade. O percurso, gostoso, é de sete quilômetros, especial para se entender o porquê da cidade ser fonte constante de visitas mesmo de quem mora na Capital, distante 320 quilômetros pela rodovia Castelo Branco com trecho, a partir de Avaré, pela rodovia Raposo Tavares.
Além dos passeios, da pesca, das trilhas, do contato com a natureza privilegiada que faz do ecoturismo sua principal atração, Piraju oferece corredeiras, lagos e rios para a realização de atividades mais radicais, como rafting e canoagem.
As cachoeiras do Arco-Íris (15 metros) e do Castelo (10 metros), que têm poço para banho e ducha natural, são famosas e muito procuradas nos meses de verão. São abertas ao público e funcionam nos finais de semana e feriados a partir das 10h (ingressos: R$ 5,00, adultos e R$ 3,00, crianças). Ficam na área pertencente à Fazenda e Pousada Campo Mourão, empreendimentos administrados pela amável Lenita do Val (www.pousadacachoeiras.com.br, telefone (14) 3351-1535).
A fazenda Capitão Mourão possui 130 alqueires com lavouras de café Catuaí e Mundo Novo, propriedade de Luiz Carlos do Val, pai de Lenita, há mais de 50 anos. A pousada rural, inaugurada em dezembro de 2002, é parte do projeto turístico iniciado em 1993 a fim de transformar a propriedade em um local com infra-estrutura para o ecoturismo.
O ribeirão que corta a fazenda, de águas limpas, forma as duas famosas cachoeiras dentro de espessa mata nativa. Segundo os proprietários, as “quedas d’ água começaram a ser divulgadas na região quando foram concluídas as obras de infra-estrutura básica, como banheiros e vestiários. Além disso, era preciso terminar benfeitorias que permitissem ao visitante usufruir de maior conforto, com quiosques, deques e churrasqueiras.
Tudo respeitando o meio ambiente e integrando o homem ao espaço, sem nunca agredi-lo. A Cachoeira do Castelo é a primeira avistada pelos turistas assim que cruzam a portaria da pousada (um castelinho de pedra). Rasa, perfeita para toda a família passar horas sem preocupação, mesmo que acompanhada de filhos pequenos. Conta com bar, lanchonete, quiosques, vestiários e trilhas ecológicas.
A menos de 2 km de distância da primeira, a Cachoeira Arco-Íris é mais alta (35 metros), mais profunda e com pontos de corredeiras. Ideal para esportes de aventura. Seu maior atrativo é uma caverna sob a cortina d’água.
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Doce Avaré
Avaré, distante 120 quilômetros de Bauru e 267 quilômetros de São Paulo, é banhada pela Represa de Jurumirim, um verdadeiro mar de água doce em pleno Interior. O clima de campo e o fascínio das águas permitem a prática do ecoturismo e esporte aquático.
“Como grande parte das cidades do Interior Paulista, Avaré é charmosa, acolhedora, tranqüila e com um diferencial importante, que é a exuberante natureza, espalhada em 1.288 quilômetros quadrados. A represa de Jurumirim, formada pelo rio Paranapanema, é um dos maiores atrativos turísticos da cidade. Além disso, a região também possui outros pontos turísticos, como a cachoeira da Liberdade, a cachoeira Bela Vista, a corredeira do rio Novo e Ponte Inglesa, a Floresta Estadual – Horto Florestal, a Trilha do Jeriquibá e a Usina do Rio Novo”, detalha a jornalista Euracy Campos.
Além da represa, que propicia pesca, esportes náuticos e contato com a natureza, os visitantes podem conhecer e adquirir o doce de leite famoso e cachaças artesanais fabricadas em alambiques centenários. O Pingo de Avaré – um doce de leite cremosa com cobertura crocante – é famoso no País todo. É um doce que, por sua tradição, remete o consumidor a lembranças da infância, agradando todas as gerações.
O “sabor de Avaré” é distribuído em embalagens diversificadas com 30, 50, 72, 18 unidades, com preços entre R$ 2,00 e R$ 7,80 e agora com novidade: pingo de leite diet, especial para dietas com restrição de açúcares.
Para se chegar à fábrica é fácil: basta entrar no centrinho da cidade. O laticínio localiza-se na rua Jango Pires, 49 (www.gotdasdeleite.com.br). Já para encontrar o Engenho Rio Novo, produtor da cachaça artesanal Reserva do Tinoeiro, a dica é perguntar a localização exata para um morador da cidade.
Na rodovia Avaré-Piraju há apenas uma pequena plaquinha indicando a entrada. Alguns quilômetros em frente, por terra, passa-se por um bananal até se chegar à sede e à fábrica, que está parada, para reparos. Em época de produção, a Engenho Rio Novo chega a produzir 300 litros por dia, detalha Paulo Sérgio Siqueira, encarregado das vendas.
As cachaças envelhecidas custam entre R$ 13,00 e R$ 30,00; Gold, R$ 15,00; Export, R$ 30,00, e Silver, R$ 13,00. A primeira envelhecida por cinco anos, a segunda, por oito e a Silver, bidestilada. Há ainda à venda miniembalagens, que custam entre R$ 2,50 e R$ 3,50.
Visitantes de Maringá, Curitiba e do Rio Grande do Sul, quando passam por Avaré, levam caixas da “branquinha”.
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Rastros de 8.000 anos
Piraju, assim como outras cidades do Circuito Paranapanema, é rica em sítios arqueológicos. Segundo a publicação “Rio Paranapanema”, pesquisas realizadas na região atestam características do povoamento humano ao longo de 8.000 anos. “Durante milênios, caçadores-coletores nômades, chamados de umbus, peregrinavam pelas matas e vales, vivendo sobretudo nos terraços formados logo acima das margens dos rios. Pedras lascadas e restos de fogueira são vestígios de sua presença”, informa.
Os umbus viviam em bandos de 20 a 30 pessoas, mineravam rochas para fabricação de utensílios e armas (como raspadores, pontas de flecha e facas) e sobreviviam da coleta de vegetais, caça e pesca.
Provenientes originalmente da Patagônia (sul argentino), encontraram no vale do Paranapanema um clima agradável com alimento em abundância e uma rocha particularmente boa para ser lascada, o arenito silicifadp – areia endurecida há milhões de anos em meio ao magma vulcânico. Os umbus sumiram com a chegada dos guaranis, que passaram a desenvolver a agricultura.