11 de julho de 2026
Geral

Familiares devem ficar atentos a sinais de crise de doenças mentais

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

O presidente da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia (Abre-Brasil), Nilton Vargas, pondera que, independentemente de sofrer transtornos mentais, qualquer pessoa em situação de crise se torna violenta. “Um homem pode matar por uma crise de ciúmes. Ou uma pessoa, durante uma crise financeira, pode pegar uma arma e praticar um assalto”, observa.

No caso de quem é diagnosticado com esquizofrenia, como o jovem Evandro Boso Romanholi, 23 anos, em momentos de crise a leitura da realidade fica deturpada. “Quando a pessoa está estável, leva uma vida normal. Por isso, não há motivo para que ela não possa dirigir”, observa.

Ele destaca que o grande problema são os momentos de crise. Nessas situações, Vargas explica que a pessoa é dominada por suas emoções. “Ela tem visões, imagens do seu subconsciente, tem sensações de perseguição e reage de qualquer forma”, conta.

Ele deixa claro que a família deve ficar alerta aos sinais de que a pessoa está entrando numa crise para prevenir qualquer risco. “Às vezes é difícil identificar isso. É um processo interno, a pessoa entra em delírio e cada um reage de uma forma”, diz.

Acidente

Por volta das 15h30 de anteontem, uma viatura da PM de Bauru escoltava duas vans que transportavam internos da Fundação Casa da cidade. Ao transitar pela rodovia Marechal Rondon, na altura da Universidade Paulista (Unip), o veículo Celta de Evandro Boso Romanholi, que ultrapassava pelo lado direito da rodovia - o comboio ocupava a faixa da esquerda - atingiu a viatura policial. Pouco depois, voltou a bater na lateral direita do veículo e seguiu no sentido Capital-Interior. Preocupados com a possibilidade de resgate dos adolescentes transportados, os policiais que estavam na viatura acionaram o Centro de Operações da PM (Copom), informando as características do veículo.

Para fazer a abordagem do Celta, que já havia escapado de outros policiais, a viatura de Ricardo Luís Propheta e Gilberto Gomes Martins, que atuavam na área da Base Comunitária Noroeste, se dirigiu à rodovia e passou a acompanhar o veículo de Romanholi, morador de Lençóis Paulista.

Pouco depois do trevo de acesso à Bauru-Marília, o Celta bateu na lateral direita da viatura, fazendo o veículo capotar. O Celta parou poucos metros depois, caído na canaleta que divide as pistas. Martins morreu na hora e Propheta, ao dar entrada no Pronto-Socorro Central.

O caso será conduzido pelo 2.º Distrito Policial de Bauru. Ontem, o delegado Fábio Mariotto informou que no registro da prisão em flagrante de Romanholi por duplo homicídio doloso não há nada que mencione o transtorno mental do rapaz.

O advogado da família, Antônio Contente, divulgou na noite do acidente que há seis anos Romanholi faz tratamento para esquizofrenia. Ele está detido na Cadeia Pública de Avaí.