O sepultamento dos dois policiais que morreram na última quarta-feira, quando capotaram a viatura durante perseguição a um Celta, na rodovia Marechal Rondon, mobilizou todo o efetivo policial de Bauru. Durante o tempo em que os corpos permaneceram no Centro Velatório Terra Branca, o movimento de parentes, colegas de trabalho e até de anônimos foi intenso.
Homenagens e muita emoção marcaram o funeral. A pedido das famílias, o enterro, que deveria acontecer às 16h no Cemitério Jardim do Ypê, foi antecipado para as 13h.
O soldado Gilberto Gomes Martins, 30 anos, uma das vítimas do acidente, estava há oito anos na polícia. Ele deixou a mulher grávida de sete meses. A outra vítima, o sargento Ricardo Luís Propheta, 43 anos, também deixou mulher e três filhos, sendo dois gêmeos, de 11 anos, e uma menina, de 7. Ele comemorou neste ano duas décadas de profissão.
De acordo com José Arantes, tio de Martins, a família estava chocada com o acontecido. Ele e a mulher vieram de São Paulo, às pressas, para acompanhar o funeral do sobrinho. “Ele estava muito ansioso com o nascimento do bebê. Já era um pai muito atencioso. Da mesma forma se preocupava com a mãe e a avó. Era ele que cuidava delas”, comentou Arantes, emocionado.
Segundo ele, a esposa de Martins dará à luz uma menina. Na quarta-feira, quando recebeu a notícia da morte do marido, entrou em estado de choque e precisou ser conduzida à Maternidade Santa Izabel, em Bauru. Ontem, recuperada, conseguiu acompanhar o velório e o enterro.
“Vai ficar um vazio muito grande. Era uma pessoa muito alegre e prestativa. Ele cuidava do pai, que é doente. A polícia perde um guerreiro, que morreu em combate”, disse Silvana Maria de Oliveira Zorzi, amiga da família de Propheta.
Para o capitão Flávio Jun Kitazume, comandante da 3.ª Companhia da PM, a morte dos policiais representa uma grande perda, não só para a polícia, mas para a sociedade também. “Se rompe um elo de amizade, de prestação de serviço à comunidade. Eles somavam com a gente e com a sociedade também”, ressaltou.
O major Nelson Garcia, que também acompanhou todo o funeral, falou sobre o sargento Propheta. “Ficará a lembrança de uma pessoa boa, marcada pela presteza ao próximo. A polícia e a comunidade perderam”, disse.
Os corpos dos dois policiais deixaram o Centro Velatório Terra Branca, na quadra 5 da rua Gérson França, pontualmente às 13h. Os caixões foram levados até o Cemitério Jardim do Ypê sobre um carro do Corpo de Bombeiros. O cortejo foi acompanhado por dezenas de carros, que foram escoltados durante todo o trajeto por viaturas da Polícia Militar (PM).
Por volta das 14h, a carreata chegou ao cemitério, onde foram prestadas as últimas homenagens. A banda regimental de música da PM homenageou os policiais logo que os corpos chegaram ao cemitério. Em seguida, três salvas de tiros foram disparadas. O som da corneta soou logo depois de alguns instantes de silêncio. As bandeiras nacionais, que estavam sobre os dois caixões, foram dobradas por policiais militares e entregues às mulheres de Propheta e Martins.
A emoção tomou conta de todos os presentes, inclusive de parentes e colegas de trabalho dos dois policiais, que não conseguiram conter as lágrimas. Ambos foram sepultados às 14h30, sob um forte calor do sol que fazia no momento.
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Indignação
O funeral dos policiais chamou a atenção até mesmo de quem não os conhecia. Muitas pessoas, anônimas, paravam em frente ao velório e comentavam o acontecido. Elas mostravam revolta contra Evandro Boso Romanholi, 23 anos, que provocou o acidente. “Em dois dias ele estará solto, você vai ver só”, comentou uma mulher com a amiga, enquanto acompanhava a saída dos corpos do velório.
O acidente com os policiais ocorreu quando eles tentavam abordar Romanholi, que pouco antes havia batido em outra viatura da Polícia Militar (PM) que fazia a escolta de duas vans com adolescentes da Fundação Casa, antiga Febem, na Marechal Rondon.
Segundo o advogado da família de Romanholi, o rapaz sofre de esquizofrenia e pegou o carro escondido dos pais durante uma crise. Ele foi preso em flagrante por homicídio qualificado por motivo fútil.