Salvador - Um velório na Bahia virou caso de polícia. A Polícia Civil de Ilhéus (429 quilômetros de Salvador) ouviu ontem o dono da funerária Árvore da Vida, Sivaldo de Jesus, acusado de retirar o corpo do aposentado Carlos Antonio da Silva Bonfim de dentro do caixão, durante velório há três semanas, sob a alegação de que a família não teria R$ 210,00 para a primeira prestação do caixão - o valor total, R$ 630,00, foi dividido em três vezes.
Filha do aposentado, Karina Oliveira Bonfim disse que seu pai estava sendo velado na sala de casa quando um funcionário da funerária cobrou a primeira prestação. “No dia anterior, eu havia ido à funerária e acertado os detalhes do pagamento. Foi muita humilhação ver o funcionário da empresa tirar o corpo do meu pai do caixão e colocá-lo em cima da cama. E ele só colocou na cama porque apelamos muito, ele queria colocar o corpo no chão.”
Bonfim morreu de parada cardíaca no dia 14 e enterrado no dia seguinte. A família comprou, por R$ 500,00, um caixão de outra empresa.
Em depoimento, Avelino negou ter mandado retirar o caixão. À reportagem ele disse que foi “armação” de um concorrente que ofereceu um caixão mais barato, o que teria feito a família desistir do pagamento. “Não houve má-fé. Estávamos com os cheques pré-datados.” Segundo a polícia, a funerária é investigada sob suspeita de perturbar e atrasar o velório.