Paris - É para um prédio antigo, cinza e imponente, no número 8 da place de la Concorde, no coração de Paris, que os olhos da F-1 estarão voltados hoje. Enquanto em Spa-Francorchamps os pilotos se preparam para o GP da Bélgica, que será domingo, 26 membros do Conselho Mundial da FIA decidirão o rumo da temporada mais empolgante dos últimos anos.
De um lado estarão Ron Dennis e sua McLaren, acusados de terem violado o artigo 151C do Código Esportivo Internacional. Do outro, a Ferrari, que acusa a rival de ter beneficiado de suas informações sigilosas.
A novela veio a público em junho, quando a escuderia italiana decidiu afastar Nigel Stepney, então responsável pelo desenvolvimento de performance da Ferrari. A explicação inicial foi de que ele estava sendo investigado pela Justiça, acusado de sabotagem. Mas a história ganhou novos rumos poucos dias depois, quando a Ferrari mandou Stepney embora e justificou sua demissão dizendo que tinha provas de que ele estava passando informações para a McLaren.
A partir de então foram surgindo acusações e envolvidos no maior escândalo de espionagem que a F-1 já fez público. A FIA resolveu entrar no caso e, em julho, seu Conselho Mundial se reuniu e declarou a McLaren culpada de violar o artigo 151C e estar envolvida em “conduta fraudulenta e ter agido de maneira prejudicial para os interesses do esporte”.
A equipe inglesa, porém, não foi punida, pois a entidade máxima do automobilismo considerou que não havia provas para dizer que a McLaren tivesse se beneficiado do dossiê de 780 páginas sobre a Ferrari encontrado com Mike Coughlan, projetista-chefe do time. À época, a FIA informou que, se novas provas que incriminassem a McLaren fossem encontradas, a equipe poderia sofrer sérias punições, como ser excluída do Mundial deste ano e até mesmo do de 2008. E foi justamente o que aconteceu.
Na semana passada a entidade foi avisada que Fernando Alonso e Pedro de la Rosa tinham trocado correspondências em que citavam o caso. Bastou para que a FIA cancelasse a reunião da Corte de Apelações, em que a McLaren se defenderia, para chamar um encontro do Conselho Mundial, que definirá hoje os rumos da temporada.
Mas a possibilidade de exclusão não é a única pena que pode ser aplicada. A perda de todos os pontos conquistados no Mundial de Construtores deste ano é uma das hipóteses mais plausíveis. Assim, Lewis Hamilton e Fernando Alonso, líder e vice-líder da F-1, não sofreriam penalização e o campeonato não seria “melado”. A maior opositora desta vertente é a Ferrari.
Além dos pilotos, quem está no olho deste furacão é Dennis, que começou a carreira como mecânico na Cooper, em 1966. Fora o fato de ter de lidar com as pressões extrapista, o agora milionário sócio da McLaren teve um ano de altos e baixos.
Na Austrália, durante a abertura do Mundial, era só sorrisos. Com a dupla Alonso-Hamilton, a equipe espantou a crise após os maus resultados de 2006. Mas a disputa interna tomou proporções impensáveis, fazendo com que o time fosse punido no GP da Hungria.
Sinal do momento que vive, Dennis chorou após a dobradinha no GP da Itália, no domingo. Talvez por saber que tudo que ganhou até agora pode ter fim hoje, na reunião de Paris. FIA decide futuro da temporada da F-1.