Nunca foi tão fácil comprar. Parcelas baixas, financiamentos a perder de vista e, em muitos casos, nem restrição de crédito é empecilho. Facilidades que são fatais para endividar qualquer consumidor desatento, afinal, quem não se sente atraído por um plano de pagamento cujas parcelas não chegam a R$ 10,00 por mês?
Esquecer dos juros embutidos nessas ofertas, comprar sem nenhuma entrada e necessidade, são os erros mais comuns cometidos pelo consumidor, que, muitas vezes, acaba pagando até o dobro do valor do produto.
A professora de administração financeira e pós-graduada em economia Márcia Elaine da Silva Almeida, orienta as pessoas a evitar financiamentos longos e comprar sempre à vista, poupando antes. “Falta paciência ao brasileiro. O ideal é guardar o dinheiro para se ter mais poder de negociação na hora da compra. A maioria das pessoas adquire bens observando apenas se a parcela cabe no orçamento. Ninguém leva em consideração os juros que se vai pagar”, analisa.
Pesquisar à exaustão, principalmente na Internet, é outra recomendação de Almeida. “A diferença de preços pode ser muito grande e vantajosa ao consumidor. É uma atitude necessária a todos antes de sair às compras”, completa.
A maioria das pessoas, no entanto, se esquece de recomendações como essas. A copeira Ana Creusa Oliveira, 26 anos, é um exemplo típico. Ela paga, atualmente, cinco carnês, além de um financiamento de uma moto e faturas de dois cartões de crédito. São mais de R$ 1.200,00 por mês comprometidos com as dívidas.
“Estou arrependida, porque a conta ficou grande demais. O que me incentivou mesmo foi o valor baixo das parcelas. Hoje, vejo que comprar a prazo para pagar em muitas parcelas não compensa. A gente fica com o compromisso por muito tempo e não pode comprar mais nada depois, sem falar nos juros”, destacou.
Oliveira parcelou uma TV e um DVD em 18 vezes de R$ 70,00, um aparelho de som no mesmo prazo e valor de pagamento, um armário e um celular em dez parcelas de R$ 105,00, um bebedouro elétrico em 15 pagamentos de R$ 30,00, além de uma moto em 36 pagamentos de R$ 200,00. “Divido essas contas com o meu marido, mas, mesmo assim, acaba sobrando muito pouco do salário. Consigo equilibrar um pouco o orçamento porque revendo cosméticos. Mesmo assim, não é fácil”, acrescenta a copeira.
Na opinião do economista Carlos Sette, compras a prazo só devem ser feitas em momentos de extrema precisão. “Se queimou a minha televisão e, no momento, não tenho como comprar outra à vista, o parcelamento é a única opção”, exemplifica.
Por outro lado, Sette orienta o consumidor a pagar sempre à vista, criando o hábito de reservar o valor do bem que se pretende adquirir. “Fazendo dessa forma, a pessoa ganha mais poder de negociação com a loja”, completa.
O economista também destaca que, em geral, são poucos os consumidores que têm a cultura de calcular os juros que vão pagar quando financiam algum bem. “É sempre importante saber o preço à vista e o preço a prazo. Se o produto custa R$ 100,00 à vista e R$ 150, 00 a prazo, é preciso avaliar muito bem até que ponto compensa fazer o negócio, já que o aumento é significativo. É aí que entra o fator urgência de se ter o produto”, destaca Sette.
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O mercado lança mão de todos os artifícios possíveis para atrair o consumidor às compras. E os elásticos planos de pagamentos oferecidos com parcelas pequenas, que parecem não fazer diferença no orçamento, são os recursos que mais resultados dão. A forte campanha publicitária nos meios de comunicação eletrônico, impresso e virtual ajuda muito nesse processo de sedução.
Sette orienta as pessoas a não se deixarem levar por essas campanhas, que destacam apenas o valor pequeno das parcelas, mas não a quantidade.
“O pagamento pode ser de R$ 9,90 ao mês, mas em 36 vezes, o valor não fica tão pequeno assim. A pessoa tem de ter a consciência de que o mercado está tentando convencê-la a aderir um plano que pode não ser tão vantajoso como é mostrado”, alerta o economista.