10 de julho de 2026
Nacional

Renan pede ‘diálogo’ e descarta deixar presidência do Senado

Por Da Redação | Com Folhapress e AE
| Tempo de leitura: 5 min

Brasília - Dizendo poucas palavras à imprensa após o resultado que o absolveu de uma das acusações que ameaçam o seu mandato, Renan Calheiros (PMDB) divulgou nota à noite afirmando que já está procurando líderes para “prosseguir na agenda legislativa” e que o “único sentimento” que o move é o do “entendimento e diálogo”.

Apesar de dizer no texto que saberá corresponder “aos anseios da instituição e aproximá-la cada vez mais da sociedade”, Renan não deu sinais de que se deixará a presidência do Senado. “Venceu a democracia. (...) Não guardo mágoas nem ressentimentos. O único sentimento que me move é o do entendimento e do diálogo.”

O dia de Renan Calheiros (PMDB-AL) começou com uma visita do deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), presidente do Senado que se afastou do cargo e depois renunciou sob acusação de corrupção. Jader foi o responsável em aconselhar Renan a não se afastar da presidência na crise, sempre citando o seu exemplo - depois de deixar a presidência, ele teve que renunciar ao mandato para escapar da cassação.

Pressão da oposição

Com a absolvição do presidente do Senado, a oposição vai agora pressionar o Conselho de Ética da Casa a acelerar os dois outros processos contra o parlamentar que tramitam no órgão. Os partidos de oposição, que prometem manter a estratégia de obstruir os trabalhos da Casa, também vão intensificar a campanha para que Renan renuncie à presidência do Senado.

Na opinião do senador Jefferson Peres (PDT-AM), não há mais clima para Renan permanecer na presidência da Casa. “Ele cedendo ou não à presidência, não tem mais condições de ficar no comando. O Senado está destroçado, isso é muito ruim. Vai ser dificílimo votar alguma coisa a partir de agora”, avaliou.

O senador Marconi Perillo (PSDB-GO) disse esperar que Renan renuncie ao mandato ao invés de ser pressionado pela oposição a deixar o cargo. “Acho que ele terá que refletir muito sobre o futuro dele e o futuro do Senado”, afirmou.

Para o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), o Senado está dividido sobre Renan - o que impede o peemedebista de controlar as votações da Casa. A senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), que relatou o processo contra Renan no Conselho de Ética, cobrou maior rigidez sobre as novas investigações que serão realizadas sobre o peemedebista. O senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) afirmou que Renan, apesar de ter sido absolvido, continuará no centro da crise política que atinge a instituição.

“Esse resultado foi um desastre. Foi o pior que poderia acontecer para a instituição. O Senado trocou a agonia de Renan Calheiros pela sua própria agonia e vai pagar por isso. Seis senadores agiram como Pilatos (Pôncio Pilatos, que foi prefeito da província romana da Judéia em 26 d.C. até 36 ou começo do 37 d.C., que lavou as mãos no julgamento de Jesus Cristo), abstendo-se de vota. A abstenção de Pilatos deu no que deu”, afirmou o senador Demóstenes Torres. “A imagem do Senado ficou pior do que pau de galinheiro”, criticou.

O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), viu a falência do Senado com o resultado de ontem. “O Senado acabou. Essa legislatura acabou. É de maneira triste que falo isso, mas é o fim”, disse o tucano.

A presidente nacional do Psol, Heloísa Helena, que protocolou a ação contra Renan, também lamentou o resultado. “Vou continuar a ensinar meus filhos que é proibido roubar”, repetia, indignada.

Para o senador José Nery (Psol-PA), é importante que os senadores se reorganizem para tentar aprovar no Conselho de Ética os outros processos contra o presidente do Senado. “Essa sessão representou uma grande derrota da ética. Foi uma decisão vergonhosa para o Brasil. O Senado deu um mau exemplo à Nação, mas acreditamos que a luta ainda não acabou. Considerando a indignação da opinião pública com esse resultado e a pressão que existirá, acho que a luta se fortalecerá “, diz.

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O que pode acontecer

• ABSOLVIDO

Mandato de senador: mantém.

Cargo de presidente do Senado: mantém.

Foro priveligiado: mantém. As denúncias que se configurarem como crime devem ser encaminhadas para o STF.

Processos de quebra de decoro: continuam os trâmites e, caso, seja condenado, em um dos três outros processos perde o mandato, o cargo e fica inelegível até janeiro de 2019.

• ABSOLVIDO E RENUNCIA AO CARGO

Mandato de senador:mantém.

Cargo de presidente do Senado: perde. O primeiro vice-presidente, Tião Viana (PT-AC), assume.

Foro priveligiado: mantém. As denúncias que se configurarem como crime devem ser encaminhadas para o STF.

Processos de quebra de decoro: continuam os trâmites e, caso, seja condenado, em um dos três outros processos perde o mandato, o cargo e fica inelegível até janeiro de 2019.

• ABSOLVIDO E PEDE LICENÇA DA PRESIDÊNCIA

Mandato de senador:mantém

Cargo de presidente do Senado: fica afastado por tempo indeterminado. O primeiro vice-presidente, Tião Viana (PT-AC), assume.

Foro priveligiado: mantém. As denúncias que se configurarem como crime devem ser encaminhadas para o STF.

Processos de quebra de decoro: continuam os trâmites e, caso, seja condenado, em um dos três outros processos perde o mandato, o cargo e fica inelegível por oito anos.

• ABSOLVIDO E PEDE LICENÇA DO MANDATO

Mandato de senador: mantém, mas tem de reassumir em 120 dias, o suplente José de Oliveira (PMDB-AL) assume durante o período.

Cargo de presidente do Senado: fica afastado por 120 dias, o primeiro vice-presidente, Tião Viana (PT-AC), assume no período.

Foro priveligiado: mantém. As denúncias que se configurarem como crime devem ser encaminhadas para o STF.

Processos de quebra de decoro: continuam os trâmites e, caso, seja condenado, em um dos três outros processos perde o mandato, o cargo e fica inelegível por oito anos.

• ABSOLVIDO E RENUNCIA AO MANDATO

Mandato de senador: perde. O suplente José de Oliveira assume e completa o período, que se encerra em 2011.

Cargo de presidente do Senado: perde. O primeiro vice-presidente, Tião Viana (PT-AC), assume.

Foro priveligiado: perde. As denúncias que se configurarem como crime pode ser encaminhada à Justiça comum.

Processos de quebra de decoro: continuam os trâmites e, caso, seja condenado, em um dos três processos fica inelegível até janeiro de 2019.