Tóquio - Enfraquecido por escândalos de corrupção e pela derrota de seu partido nas eleições de julho para o Senado, o premiê japonês renunciou ontem ao cargo.
Shinzo Abe, 52 anos, deixa o posto com popularidade de 29%, um ano após ter assumido com aprovação de 70%.
“Eu me vejo incapaz de cumprir minhas promessas -e eu próprio me tornei um obstáculos para cumpri-las'', disse Abe em anúncio transmitido em cadeia nacional de TV. “É hora de alguém politicamente mais viável assumir.”
O anúncio surpreendeu os japoneses, que especulam agora quem será seu sucessor.
“Foi o pior momento possível (para a saída)”, disse o general Nakatani, do Partido Liberal Democrata (PLD). Ele teme que a renúncia “apressada” prejudique a bancada governista na sessão extraordinária do Parlamento, que decidirá sobre a prorrogação de uma legislação especial antiterrorismo. O futuro da lei, que autoriza o Japão a reabastecer navios de guerra no oceano Índico, foi o estopim da saída de Abe.
Na segunda-feira, o premiê abrira a sessão ameaçando renunciar caso não fosse aprovada uma extensão no prazo de vigência, que termina em 1º de novembro. Para a oposição, a lei fere os princípios pacifistas da Constituição japonesa.
Segundo a agência Kyodo News, pelo menos 31 membros do partido assinaram petição pedindo o retorno de Junichiro Koizumi. Ele teria, porém, recusado. Com o carismático ex-premiê fora da disputa, secretário-geral do PLD, Taro Aso, é o favorito para a sucessão.