08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O Cortiço


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Será que o escritor Aluízio de Azevedo viveu em Bauru quando lançou este romance? Acho que para ele o ter escrito em 1890, deve ter sido morador do Jardim Panorama, e mais, deve ter residido aqui em casa. Pela janela da sala eu vejo o João Romão, a Bertoleza, o Jerônimo, a Baiana e o Firmo. Só que nesta versão atual tem um monte de crianças também. Eu, provavelmente, devo ser Miranda, o vizinho rico. Ano passado, aqui na praçinha ao lado, Jerônimo matou Firmo a facadas em plena luz do dia. Continuamos assistindo ao romance e esperando que, talvez, ele também mate a Bertoleza para poder, finalmente, ficar com a Baiana, assim como no romance.

Também vejo, pela mesma janela, uma sociedade carente de praças esportivas, pois no quintal do cortiço, semi-atletas andam de skate e patins. Às vezes penso que se tivessem, ao menos, uma iluminação eles não reclamariam. Vejo uma rua insistentemente bloqueada e, embora não questionemos a venda, mas sim a abertura da rua, o descaso de uma administração pública cega e sedenta pelas cifras que a venda deste “terreno” gerará.

Enquanto isto, o cortiço só aumenta. Torcemos para que “ele” não teime em seguir o mesmo fim trágico do romance de Aluízio de Azevedo, e pegue fogo por completo.

André Lennon Lini Rafael - estudante de engenharia mecânica na Unesp