11 de julho de 2026
Nacional

Após dois anos, ata do Copom sinaliza fim do ciclo de corte na taxa básica de juro

Folhapress
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Brasília - O período de dois anos ininterruptos de corte da taxa básica de juros pode ter terminado na semana passada. O sinal foi dado pelo Banco Central (BC), que mostra preocupação com a demanda e a inflação. Esse quadro fez o BC levantar a hipótese de manter a taxa na semana passada, quando a Selic foi cortada em 0,25 ponto. No mercado, perde espaço a aposta de nova redução em outubro.

Em 5 de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduziu o ritmo de corte e, por unanimidade, diminuiu a taxa a 11,25% ao ano. Nos meses anteriores, a redução havia sido maior, de 0,50 ponto. A decisão era esperada pelo mercado. Mas o tom da ata dessa reunião, divulgada ontem, trouxe surpresa.

A principal novidade foi a afirmação de que o BC avaliou a hipótese de manter o juro. “Diversos fatores respaldariam a decisão”, afirma o texto. O principal é a inflação. Enquanto a alta de preços era tratada como possibilidade nos textos anteriores, a ata de setembro diz que o risco relacionado à alta dos índices cresceu e que a demanda inclui fatores não desprezíveis à inflação.

Exemplo dessa pressão é o IPCA, índice usado no regime de metas de inflação. Em agosto, subiu 0,47%, ante 0,24% em julho. Alimentos como carne, leite, milho, soja e trigo têm liderado a alta. A tendência tem feito o mercado elevar a projeção do índice para este ano. Hoje, a aposta está em 3,99%. O centro da meta é 4,5%. “Essa ata veio mais amarga que o esperado. Se não houver melhora significativa do cenário, não teremos mais cortes em 2007”, diz Luís Fernando Lopes, economista-chefe do Pátria Investimentos. A ata fez Lopes ajustar a aposta para a Selic. Antes, acreditava em corte de 0,25 ponto em outubro. Agora, vê chances mais fortes de estabilidade.