Na votação secreta do pleno que absolveu o presidente do Senado Renan Calheiros, votaram tudo, menos o fato do senador ter agido com a devida ética inerente ao seu mandato. A votação foi política. Para entendermos o que ocorreu e discernir que não votaram a contrário senso do esperado pela população, vejamos qual foi a bandeira defendida pelo senador Aloízio Mercadante. Caso ocorresse a destituição do presidente da Casa, com a bancada que tem, jamais o PT conseguiria eleger o seu suplente, portanto, abriria espaço à oposição, e aumentaria a inconsistência da Casa, perdendo então a oportunidade histórica de aprovarem projetos e votarem leis relacionadas à reforma tributária e desburocratização da máquina administrativa.
Sabemos que existem outros interesses que levaram seus pares a absolvê-lo, mas não podemos esquecer que foi uma decisão democrática, e apesar dos aclamos da opinião pública, devemos acatar. O respeito às deliberações do pleno fortalece às instituições democráticas. Os senadores não responderam às expectativas da opinião pública, mas isso não a ilegitima, pois sabemos que em 2010 se renovam 2/3 do Senado, e se até lá o povo não se esquecer responderá nas urnas ao sr. Aloízio Mercadante e companhia, que nesse momento os cidadãos queriam julgamento ético e que na democracia só se perpetuam no poder aqueles agem com ética e legitimidade.
Valdemir Pereira - advogado, pós-graduando pela ITE