08 de julho de 2026
Nacional

Desemprego é o menor em 10 anos

Por Clarice Spitz | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) para tratar de mercado de trabalho aponta que a taxa de desemprego no Brasil registrou em 2006 a maior queda em dez anos. Já a renda dos trabalhadores atingiu o mesmo patamar de 1999. Mesmo assim, a pesquisa mostra que o País ainda reduz de forma lenta o retrato da distribuição de renda. A taxa de desemprego no País ficou em 8,5% em 2006 após atingir 9,4% no ano anterior. No entanto, ela ainda é superior à marca de 1997, quando atingiu 7,8%.

A renda dos trabalhadores aumentou 7,2% em 2006 frente a 2005 - trata-se do maior crescimento desde 1995. Entre 2004 e 2005, ela já tinha subido 4,6%. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) cita o aumento do salário mínimo de 13,3% frente a 2005 como um dos principais fatores para o aumento do poder de compra dos trabalhadores. O Nordeste foi a região em que todas as classes de rendimento tiveram aumento do poder de compra, diz a pesquisa. Nas demais regiões houve aumento da renda, mas em extratos de menor poder aquisitivo.

Segundo a pesquisadora Marcia Quintslr, o efeito mais forte no Nordeste pode ser resultado indireto de programas de transferência de renda, como o Bolsa-Família, que movimentam a economia, embora não influam diretamente nos rendimentos.

Na comparação com 2005, a taxa de desemprego caiu em quase todas as regiões. Uma das exceções ficou com o Maranhão em que subiu de 6,2% para 7,0%. De acordo com Cimar Azeredo, gerente da Pnad e da PME, a queda do desemprego era esperada. “Em 2005 houve uma recuperação e, em 2006, uma solidificação do mercado de trabalho, que está absorvendo mais e mostrando maior qualidade do emprego”, disse.

Desconcentração de renda

A Pnad mostra ainda que o Brasil obteve uma ligeira melhora na distribuição de renda. O Índice de Gini, indicador de desigualdade de renda (quanto mais perto de 1, mais desigual o País) em relação à renda domiciliar per capita mostrou uma suave redução na desconcentração de 0,532, em 2005, para 0,528, em 2006. Em 2004, o índice era de 0,535. “Continuamos em um cenário de concentração alta e de diferenças regionais marcantes”, afirmou Quintslr.

As diferenças regionais permaneceram marcantes. Em 2006, 12,7% do total de domicílios do País tinham rendimentos até um salário mínimo. No Nordeste essa parcela correspondia a 25,3%, a maior do País. Por outro lado, 3,0% do total de domicílios tinham rendimentos acima de 20 salários mínimos.