08 de julho de 2026
Nacional

Ex-banqueiro Cacciola é preso em Mônaco

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - O ex-dono do banco Marka, Salvatore Cacciola, foi encontrado e preso pela Interpol em Mônaco. A Polícia Federal foi informada na manhã de ontem da prisão pelas autoridades de Mônaco. A prisão ocorreu porque a Polícia Federal emitiu um alerta de difusão vermelho, avisando a Interpol que ele é foragido.

Cacciola foi condenado a 13 anos de prisão em processo movido na 6.ª Vara Criminal Federal, do Rio de Janeiro. A pena refere-se aos crimes de peculato (utilizar-se do cargo exercido para apropriação ilegal de dinheiro) e gestão fraudulenta. O banco Marka quebrou com a desvalorização cambial de 1999. Assim como outra instituição financeira, o FonteCindam, o banco apostou na estabilidade do real, enquanto as demais instituições financeiras se prepararam para a alta do dólar.

Condenação

Em janeiro de 1999, o Banco Central elevou o teto da cotação do dólar de R$ 1,22 a R$ 1,32. Os bancos Marka e FonteCindam, indo contra a tendência do mercado, haviam assumido pesados compromissos em dólar. Salvatore Cacciola, do Marka, resolveu pedir socorro ao BC. Sob a alegação de evitar uma quebradeira no mercado, o BC vendeu dólar mais barato ao Marka e ao FonteCindam.

A chefe interina do Departamento de Fiscalização do BC era Tereza Grossi, que mediou as negociações e pediu à Bolsa de Mercadorias & Futuros uma carta para justificar o socorro. O caso foi alvo de uma CPI, que concluiu que houve prejuízo de cerca de R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos. Em 2005, a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6.ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, condenou Salvatore Cacciola a 13 anos de prisão pelos crimes de peculato e gestão fraudulenta.

O então presidente do BC, Francisco Lopes, recebeu pena de dez anos em regime fechado e a diretora de Fiscalização do BC, Tereza Grossi, pegou seis anos. Também foram condenados na mesma sentença Cláudio Mauch, Madureira, Luiz Augusto Bragança (cinco anos em regime semi-aberto), Luiz Antonio Gonçalves (dez anos) e Roberto José Steinfeld (dez anos).