Diante de jovens que não sabem o que querem para suas vidas, nem sabem até que ponto podem sonhar com algo significativo para si mesmos dentro da realidade em que vivem, e diante de uma maioria que, por falta de uma proposta social vinda da comunidade, envereda pelos caminhos das drogas e do sexo desregrado, ficando o futuro algo distante demais para ser pensado no tempo presente, eis que, como um raio de luz de muita esperança, surge, na edição de domingo passado (9/9), do JC, a entrevista do jovem Germano Vannini, de 14 anos, filho de um casal amigo e cristão.
O jovem Germano deixa clara a necessidade urgente da inserção de jovens na luta política, haja vista sua importância para a determinação dos rumos que a sociedade define a respeito dos aspectos emergentes da realidade brasileira, como a violência, a saúde e a educação. A juventude deve ajudar a construir um mundo novo, de respeito mútuo, não deve ficar trancafiada e alienada em seu mundo de consumismo, em que o ter se sobrepõe ao ser. Jovens conscientes como o Germano Vannini, ninguém consegue induzir ou desviá-los dos seus ideais. Jovens conscientes são sinônimos de “ousadia”.
Sem dúvida, a juventude é uma fase belíssima e maravilhosa. É a primavera nas estações da vida. Mas também é cheia de conflitos, descobertas e desafios. A etapa da juventude é muito complexa e dinâmica. Constantemente, o jovem se assusta e se espanta consigo mesmo e se frustra com os “outros”.
A vida do jovem acaba sendo um paradoxo. Uma mistura de sonhos, aventuras, desejos, frustrações, confusões, pressões e escolhas a fazer. Todavia, o Germano deixa-nos a certeza de que vale a pena viver a juventude na sua plenitude, com discernimento, com alegria, disposição e ternura, caminhando rumo ao crescimento e à felicidade de servir ao próximo.
O Germano, nos seus 14 anos, confessa que o desejo de ser não um novo político, mas um político novo com honradez, justiça e ética, tocou fundo nas conversas com seus pais e avô. É no lar, na família que encontramos os principais educadores que têm a missão de artistas, de modeladores do caráter dos seus filhos. Mais do que pelos conselhos que dão, os pais educam por aquilo que são e aquilo que fazem. O primeiro evangelho para os filhos continuará sendo o testemunho de vida dos pais.
Germano, parabéns! Com você ainda não se apagou de vez a luz da ética e da moralidade! Ah! Como faz bem ao coração desse professor e ex-vereador saber que, ainda, há jovens como o Germano que acreditam neste desacreditado Brasil, associado simplesmente à imagem generalizada de corrupção entre políticos. Arregacemos as mangas e vamos à luta, pois o futuro só será diferente se cada um de nós fizer hoje a sua parte. Devemos nos comprometer, sem ódios e violências, até as últimas conseqüências, na conquista de um Brasil mais justo, livre, pacífico e sem impunidades.
O autor, Gino Crês, é professor e colaborador de Opinião