Os efeitos de estar desempregado são em geral traumáticos e não se restringem à perda dos rendimentos e do poder de consumo. O sofrimento moral por que passam essas pessoas é tão doloroso quanto a privação dos bens materiais.
Entre os efeitos psicológicos provocados pela falta do emprego, os psicólogos citam a baixa auto-estima, desespero, vergonha, depressão, sensação de inutilidade e de improdutividade. Entre os efeitos sociais incluem-se pobreza, perda de status, desagregação da vida familiar, incluindo o divórcio e várias formas de comportamento anti-social como roubo, tráfico e vandalismo. Entre os efeitos físicos estão várias formas de doença, insônia, tensão e ansiedade, resultando às vezes em embriaguez, uso de drogas, violência e tentativa de suicídio.
A psicóloga Marcela Velosa cita ainda a retração como um dos efeitos negativos do desemprego. “Uma situação como essa provoca o afastamento da pessoa do contato com outros. Ela se fecha.”
A também psicóloga Daniela Cruz Henriques revela que os consultórios têm sido visitados cada vez com maior freqüência por pacientes com mais de 40 anos que têm muito medo de perder o emprego. Na idade em que estão, eles sabem que se perderem o emprego dificilmente conseguirão outro.
Segundo ela, uma das dicas que podem ajudar as pessoas a se sentirem mais seguras no emprego é criar coragem para conversar com colegas e chefes sobre como está seu trabalho e aceitar as críticas de forma construtiva. “Assim é possível melhorar onde não está bom”, sugere Daniela.
Ela lembra que uma pesquisa da International Stress Management Association (ISMA) apontou o desemprego como a segunda causa de estresse no Brasil, perdendo apenas para a violência.