Não dá para falar em literatura na periferia sem citar Reginaldo Ferreira da Silva ou, simplesmente, Ferréz. Rapper e escritor, Ferréz começou a se aventurar pelo mundo das letras quando, na casa de um amigo, encontrou uma caixa cheia de livros e se apaixonou pela obra de Hermann Hesse, John Fante e Charles Bukowski. Mas as histórias em quadrinhos, a rua e o hip hop são suas grandes referências.
Vivendo em um dos bairros mais violentos de São Paulo, o Capão Redondo, o escritor tira dessa dura realidade a inspiração para seus textos, poemas e livros. Não é à toa que o primeiro livro dele, “Capão pecado”, lançado em 2000 é referência para a chamada “literatura marginal”. Usando a linguagem do gueto, alimentando-se daqueles personagens tão reais e sem futuro, Ferréz construiu uma narrativa original. O livro de estréia provocou o leitor ao revelar o cotidiano da periferia. Como o próprio autor o define: “Capão é um livro de mano para mano. É ácido e violento. É um grito”.
Por sua obra desfilam personagens que existem ou existiram antes de perder violentamente a vida e que, em busca do assalto perfeito, mergulham em uma trama sem volta. “Na favela, você pode escolher entre tentar sobreviver vendendo refrigerante no sinal ou se dedicar à vida do crime”, destaca. Ele conta que conseguiu escapar desse destino e que acredita que, nos bairros marginais das grandes cidades brasileiras, ainda há muito mais criminalidade do que descreve.
Além de “Capão”, Ferréz lançou outros títulos: “Amanhecer esmeralda”, “Manual prático do ódio” e “Ninguém é inocente em São Paulo”. O autor conta ainda com textos publicados em vários jornais e revistas, sobretudo na Caros Amigos, onde participou também do projeto “Literatura Marginal”, série em três volumes com diversos autores da periferia paulistana.