09 de julho de 2026
Geral

Jd. Ivone se une para cobrar melhorias

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Moradores do Jardim Ivone, em Bauru, promoveram ontem um campeonato esportivo para fazer a integração com a população favelada do mesmo bairro. A intenção é unir forças e fazer com que as autoridades tomem conhecimento da “situação caótica” em que vive a comunidade do local.

O Jardim Ivone é uma vila que existe há 30 anos e, no entanto, não tem sequer uma rua pavimentada. A maioria das vias não tem iluminação pública, não tem escola, posto de saúde, e o bairro só é atendido pelo serviço de assistência social do município porque os profissionais visitam os assistidos.

Segundo o presidente da associação dos moradores do bairro, Geovani Pereira da Silva, o campeonato foi organizado para revelar a indignação da população do Jardim Ivone. “Os moradores não contam com o aparato público. Até o circular é emprestado da Quinta da Bela Olinda. Nós pegamos carona nele porque não tem ônibus com o nome do bairro.”

Silva lembra que o Jardim Ivone tem um córrego e, pela segunda vez, uma favela. “No primeiro projeto de desfavelamento, os moradores da época foram transferidos para lá. Por incompetência das autoridades, se formou outra (favela) com 120 famílias, cerca de 600 moradores.”

Para o presidente da associação, a população do Jardim Ivone vive mal porque tudo está do outro lado da pista. O atendimento médico, a assistência social, a luz, as escolas etc. “São grandes as dificuldades. São 250 crianças que não têm atividades físicas, porque aqui não tem um ginásio de esporte e nem atividades culturais. Daqui a alguns anos, a sociedade vai sentir os reflexos da má qualidade de vida deles. Aqui falta tudo”, lamenta Silva.

As dificuldades de quem mora no bairro ou na favela são as mesmas, explica o presidente da associação. “Temos alguns jovens que estudam no período noturno e são obrigados a andar pelo menos 400 metros no escuro, não tem iluminação pública. Eles vão de um bairro para outro para estudar. Muitos desistem.”

A creche onde as mães deixam as crianças para ir trabalhar também fica no bairro vizinho. “Aqui não tem (creche). As mulheres têm que sair mais cedo para deixar as crianças e, só então, irem para o serviço.”

O campeonato esportivo promovido no bairro ontem durou o dia todo com as modalidades de futebol, vôlei e queima. “Nossa intenção é a integração.”

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Caminho das autoridades

A esperança dos moradores do Jardim Ivone é mudar a situação de abandono do local, especialmente agora, período em que as autoridades que utilizam o aeroporto Moussa Tobias têm, obrigatoriamente, que passar ao lado do bairro. “O Jardim Ivone só é lembrado na época eleitoral. Com a união dos moradores da favela, vamos mudar essa situação sem impedir o trânsito da rodovia, mas dialogando com os responsáveis”, planeja o presidente da associação dos moradores, Geovani Pereira da Silva.

Para ele, é preciso que os órgãos públicos respeitem os moradores. “Nós pagamos nossos impostos e queremos as benfeitorias que todo cidadão tem direito. Iluminação pública, segurança, saúde, recreação e tudo mais.”