09 de julho de 2026
Geral

Enquanto leva malas, Antônio faz amigos

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 2 min

Aos 56 anos, Antônio Previtali Filho só se lembra de ter trabalhado carregando peso. Há 12 anos, ele é carregador no Terminal Rodoviário de Bauru. Antes, trabalhou na roça. Mas a atividade que poderia ser cansativa para uns, é motivo de felicidade para ele. “Converso com muita gente, faço amizade e até reecontro antigos colegas”, diz.

Ele pensa no futuro e em sua aposentadoria. “Pago, mensalmente, o imposto para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) porque quero me aposentar, direitinho”, conta. Enquanto isso, passa cerca de 8 horas por dia ajudando aqueles que chegam ao terminal com muitas malas. “Quando vejo um cliente, já vou logo me oferecendo para ajudar. Muitos são gentis e conversam comigo. Outros são mais calados. Mas respeito o jeito de cada um”, diz.

Alguns tornam-se clientes. “Eles avisam com dias de antecedência que vão precisar do meu serviço. Marco a hora que vão embarcar, direitinho, e apareço no horário combinado”, conta.

Os horários de maior movimento são pela manhã e à noite. Durante a tarde ele aproveita para descansar um pouco. Nos feriados, o trabalho precisa ser mais rápido ainda. “Quando vejo que o cliente vai pegar o ônibus logo, carrego as malas e descarrego-as rapidinho. Mas sempre dá tempo de atender a todos”, diz.

Na rodoviária, ele assiste histórias comoventes. “Vejo pessoas se abraçando com carinho. Algumas até choram. Mas também têm muitas histórias tristes de outros que não têm onde morar e às vezes dormem no chão”, diz. “Quando está chovendo, os andarilhos buscam abrigo em um lugar coberto”, conta.

Quando vê tanta gente partindo em viagens, Antônio também sente vontade de embarcar para alguma cidade. “Se pudesse escolher, iria conhecer uma cidade de praia como Santos. Ou então, Aparecida do Norte, porque lá está a Basílica”, diz.

Além de sonhar, Filho também não abre mão de apostar na sorte. “De vez em quando, jogo na Mega-Sena”, conta. Se um dia ganhar o prêmio, ele já tem planos. “Vou comprar uma empresa de transportes”, garante.