Buenos Aires - A Justiça argentina começou a apurar se há superfaturamento nas obras de expansão de dois gasodutos, fundamental para aumentar o fornecimento de gás no país. Parte delas está a cargo da brasileira Odebrecht. O superfaturamento seria de 35%: o contrato com a Odebrecht teria sido fechado por US$ 486 milhões acima do previsto.
A empresa foi contratada por US$ 1,87 bilhão para realizar, até 2008, a expansão da capacidade dos dois gasodutos em 13,3 milhões metros cúbicos por dia. A investigação começou na semana passada após denúncia do procurador Carlos Stornelli, que também atua no caso Skanska - construtora sueca que confessou pagar propinas em outra fase da expansão dos mesmos gasodutos.
A denúncia de Stornelli tem como base uma carta enviada pelo ex-presidente da Enargas (agência reguladora do setor de gás natural) Fulvio Madaro a seu superior, o secretário de Energia Daniel Cameron. Na carta, Madaro afirma que os contratos para a expansão dos gasodutos “se encontram notavelmente acima dos valores detalhados anteriormente”. A existência da carta foi revelada pelo jornal “Perfil”.
Madaro, investigado como um dos supostos destinatários das propinas, renunciou poucos dias após enviar a carta. Procurada pela reportagem, a Odebrecht disse que não foi notificada e que teve conhecimento da decisão pela imprensa. Informou estar à disposição da Justiça e reafirmou que não há irregularidades no contrato com o governo argentino.
Quando o “Perfil” revelou as suspeitas, a reportagem teve acesso a documentos que comprovam que as obras estão dentro dos valores previstos. Eles foram enviados em janeiro pela Enargas às empresas responsáveis pela expansão do gasoduto e que escolheram a Odebrecht.