08 de julho de 2026
Nacional

Aliados tentam ‘relator de confiança’

Por Silvio Navarro e Valdo Cruz | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Aliados do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), iniciaram uma intensa articulação para tentar emplacar um “nome de confiança” na relatoria do terceiro processo contra o peemedebista no Conselho de Ética, considerado o caso mais letal entre as denúncias que o assolam. O terceiro processo trata de denúncias de que Renan usou “laranjas” para comprar rádios em Alagoas com dinheiro de origem ignorada, parte em dólares. O requerimento é de autoria do PSDB e do DEM.

A Mesa Diretora autorizou a investigação no dia 16 de agosto, mas, desde então, ele segue parado à espera de um relator. No Palácio do Planalto, a expectativa é de que a análise dos casos ainda pendentes no Conselho de Ética esteja concluída, inclusive passando pelo plenário do Senado, até meados de outubro. Motivo: deixar a pauta livre para analisar a CPMF.

Nesta semana, Renan deve se reunir com Lula. O encontro ainda não está marcado. Nele, dificilmente o presidente pedirá a seu aliado que se licencie do cargo, apesar de ser esse seu desejo. O petista quer, pelo menos, que o senador mostre capacidade para articular a aprovação da CPMF, cuja votação em primeiro turno será tentada na Câmara na quarta-feira.

No caso da definição do relator no Conselho de Ética, Gilvam Borges (PMDB-AP), ligado a José Sarney (PMDB-AP), é o preferido do grupo pró-Renan. Mas, prevendo resistência da oposição, os aliados do senador avaliavam alterar a composição do conselho, trocando um titular por um suplente, em busca de um nome novo.

A terceira saída seria sugerir que o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), herdasse o cargo. O argumento é que ele já iniciou apuração na Corregedoria. “Na hora da verdade ele é policial e não faria nada contra os fatos. Não acredito que essa representação chegue ao plenário”, disse Wellington Salgado (PMDB-MG), aliado de Renan, citando o passado de diretor da PF de Tuma.

Nos bastidores, governistas dizem que Tuma foi um dos votos da oposição que ajudou a absolver Renan. Nas vésperas da votação, seu filho Romeu Tuma Júnior, que não conseguiu se reeleger deputado estadual, foi indicado para a Secretaria Nacional de Justiça. Tuma diz que votou pela cassação.

O presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), afirmou que anunciará o nome do relator nesta semana. “Se eu tiver dificuldade para escolher alguém vou me reunir com os líderes dos partidos e eles indicam.”

O líder do DEM, José Agripino Maia (RN), reagiu: “Se ele disser que está com dificuldades, o Demóstenes Torres (DEM-GO) está à disposição”. Para o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), mesmo se o relator trabalhar pelo arquivamento, a oposição tem número no conselho para aprovar um parecer alternativo. “Digamos que a gente deixe. A gente perde? Já ficou provado que não”, afirmou, em referência ao placar de 11 a quatro no conselho na votação do caso Mônica Veloso.

O terceiro processo é considerado por aliados de Renan o mais “perigoso” não só pelas denúncias em si, como por envolver o usineiro João Lyra, um dos principais adversários do senador. O DEM pressiona por uma acareação entre ele e Renan. Além disso, o caso atinge em cheio Tito Uchôa, primo do senador, supostamente um dos donos da rádio.