Enquanto os torcedores e a imprensa esperam com ansiedade notícias vindas de São Paulo, onde a cúpula noroestina mantém os contatos sobre o futuro do Noroeste, o presidente Damião Garcia resolveu falar e concedeu entrevista para o Jornal da Cidade, ontem, por telefone, na sede da sua empresa, em São Paulo.
E, o pior, as notícias não foram nada otimistas. Cansado da falta de apoio e preocupado com o futuro do Noroeste, Damião Garcia falou sobre a vontade de deixar o comando do Norusca, sobre os altos gastos para manter o clube e também sobre o futuro de um dos times mais tradicionais do Interior, mas que viveu uma terrível fase e que, somente agora, voltou a dar alegria aos seus torcedores. A seguir, leia os principais trechos da entrevista do presidente Damião Garcia concedida ao JC?
JC - Sempre num momento de transição como este, surgem especulações sobre a saída do senhor? O senhor permanece ou não no comando do Noroeste?
Damião - Sinceramente, eu estou pensando muito, mas será difícil eu continuar à frente do Noroeste. Eu continuo sem apoio nenhum. Realmente, do fundo do meu coração, eu gostaria de passar o clube para duas ou três pessoas idôneas e que possam tocar o Noroeste para frente.
JC – O motivo principal continua sendo fora de campo, ou esse semestre complicado, quando o clube saiu de duas competições contribuíram para essa decisão?
Damião – O time não jogou bem nas duas competições. Mas o problema é fora de campo. Nesse semestre, que é mais fraco para o Noroeste, eu gastei R$ 300 mil. No Paulista, passa de R$ 500 mil. Eu nem gosto de falar muito em números por causa de seqüestros e assaltos.
JC- O senhor está tendo prejuízo com o Noroeste?
Damião – Claro que sim. Eu estou sozinho à frente do clube, apenas o meu filho me ajuda e coloca um pouco de dinheiro, mas eu não quero mais esse tipo de ajuda. Não é justo. Porque continua tudo girando em torno de uma mesma família. As pessoas não sabem, mas eu estou com problemas financeiros e não posso agir somente com a emoção.
JC - Mas a venda de jogadores da base não seria um alento para repor todo esse dinheiro gasto pelo senhor?
Damião - Seria, mas com clubes do Interior é difícil esse tipo de negócio. Hoje em dia, você tem que colocar jogadores em clubes grandes para depois ter um retorno em cima dos atletas, mas nem isso nós estamos conseguindo.
JC - No caso de uma eventual saída do senhor, o que esses seus sucessores terão pela frente?
Damião – Olha, eu não gosto nem de falar em números. Porque é muito dinheiro para manter o Noroeste. Mas o Palmeiras, o Corinthians e o Marília virão jogar no Campeonato Paulista de 2008. Isso, pelo menos, é uma garantia de três boas rendas e só.
JC - Quando será a decisão final do senhor em relação à permanência ou não à frente do Noroeste?
Damião - Ainda não está nada decidido. Eu estarei em Bauru na sexta-feira e todos vocês (Imprensa) estão convidados para uma conversa mais detalhada na sede do Noroeste.