A renegociação de dívidas é uma prática que vem crescendo entre devedores e credores, inclusive no comércio de Bauru. Nesta época do ano, por conta da aproximação do Natal, os acordos se tornam ainda mais freqüentes. Isso porque o consumidor que está com o nome na lista de maus pagadores do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) ou da Serasa quer reaver seu poder de compra, o que exige regularizar as pendências deixadas para trás.
Aldemiro José Alves, vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru, estima que cerca de 15% dos inadimplentes com o comércio do município estejam tentando regularizar suas dívidas. “No final do ano, essa situação é muito comum e o número de acordos cresce bastante, o que também é normal. O Natal e o próprio recebimento da primeira parcela do décimo terceiro salário são responsáveis por esse panorama”, analisa.
Segundo Alves, as pessoas que mais procuram renegociar seus débitos têm mais de uma dívida na praça, porém, os valores não chegam a ser exorbitantes. Ele também ressalta que os credores influenciam o processo, incentivando o procedimento. “Eles procuram facilitar, dividindo em vários pagamentos e até liberando o cliente dos juros”, acrescenta.
O economista Geraldo Pineli também acredita que a maioria dos consumidores cujos nomes estão incluídos nos serviços de proteção ao crédito deve valores pequenos aos credores. Ele destaca que, em muitos casos, o débito é tão pouco expressivo, que não compensa ao credor levar à Justiça.
Para o economista, a facilidade de aquisição de crédito no mercado tem impulsionado as pessoas a regularizar seus débitos pendentes, já que só com o nome limpo é possível voltar a comprar pagando a prazo.
“É benéfico para os dois (devedor e credor), porque o comerciante consegue receber um negócio que, na verdade, estaria perdido, e o consumidor recupera o crédito e volta a comprar com prazo dilatado”, explica o economista.
“Para o lojista é uma proposta muito interessante porque, às vezes, tem o caso como perdido e acaba conseguindo receber. Tem muito comerciante, inclusive, que abre mão dos juros e aceita receber só o valor principal”, completa Otaviano Machado, presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC).
Precauções
De acordo com a professora de administração financeira Márcia Elaine da Silva Almeida, a renegociação é recomendável, porém, o devedor deve levar em consideração, antes de aceitar qualquer tipo de proposta, a taxa de juros que terá de pagar.
“A primeira informação que devemos saber numa situação como essa é o quanto vamos pagar de taxa de juros. Normalmente, ninguém se preocupa com isso, só vê se o valor cabe no orçamento”, alerta.
Na opinião de Márcia, convém utilizar o dinheiro extra do décimo terceiro salário para regularizar dívidas atrasadas. “Quem, por exemplo, está endividado com o cheque especial, pode antecipar o valor do décimo terceiro com os bancos, que já oferecem várias linhas de antecipação. Nesse caso, o devedor faria uma troca de taxa de juros, que de 7,5% a 10% (ao mês), baixaria para menos de 4%. Essa negociação é muito conveniente”, destaca.
A professora diz que o mesmo procedimento é válido quando as dívidas precisam ser quitadas no comércio. Pedir descontos nos juros e facilidade no pagamento é essencial. Em muitos casos, recorrer a financiamentos também é viável, segundo ela.