10 de julho de 2026
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As cidades e o turismo de negócios


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O Ministério do Turismo pleiteia a entrada do Brasil no Conselho Executivo da Organização Mundial de Turismo (OMT). A notícia tem um significado importante face à crescente participação do país no cenário turístico mundial. Desde 2002, os gastos anuais de visitantes estrangeiros cresceram 116%, de acordo com o Ministério do Turismo. Levantamento do Banco Central mostra que esses turistas deixaram aqui, somente no primeiro semestre de 2007, US$ 1,3 bilhão, o que corresponde a um aumento de 9,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo a OMT, o Brasil é a 37ª nação que mais recebeu visitantes em 2006. Dados da Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV) apontam que 5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional vêm da atividade turística — o equivalente a R$ 24,5 bilhões. A importância do setor no panorama global pode ser percebida pelo fato de o índice de crescimento do turismo ser superior ao do PIB mundial, conforme sinaliza a Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC). O segmento concentra 10% da mão-de-obra mundial, o que representa 204 milhões de trabalhadores atuando na área.

A forte participação do turismo no contexto econômico internacional chama a atenção para um ramo específico, o do turismo de negócios, que movimenta U$ 4 trilhões ao redor do mundo e também vem evoluindo rapidamente. O Brasil é o 11º país mais procurado como destino de eventos internacionais. As viagens corporativas respondem por 66,2% do PIB nacional do setor, alcançando R$ 16 bilhões.

Os dados apresentados são animadores, pois mostram que o país aposta em uma nova vocação turística, que vai além de tradicionais cartões-postais como o Corcovado (Rio de Janeiro) e o Pelourinho (Salvador). Segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe/USP), 30% dos 5,5 milhões de turistas estrangeiros vêm a negócios. Pesquisa da São Paulo Turismo (SPTuris) indica que de cada dez visitantes que chegam à capital paulista quatro são estrangeiros.

Fica claro, assim, que é preciso atender cada vez melhor ao turista para se alcançar padrões de excelência. As cidades devem se preocupar com a infra-estrutura e logística voltada ao desenvolvimento do turismo de negócios. Um bom exemplo é o município de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, que serve como porta de entrada ao visitante estrangeiro que desembarca no Aeroporto Internacional de São Paulo, o maior terminal de cargas da América do Sul e o segundo da América Latina.

Guarulhos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), integra o ranking nacional dos dez municípios que, juntos, concentram 25% do PIB — representa 1,03% do PIB nacional. A cidade é servida por três importantes rodovias: Dutra, Fernão Dias e Ayrton Senna. A proximidade com São Paulo, que é o maior mercado consumidor e principal centro de negócios do país, fez com que Guarulhos passasse por uma grande transformação nos últimos anos como, por exemplo, a formação de uma rede hoteleira de alto padrão, que serve de opção ao turista que chega ao Brasil.

O fortalecimento de entidades representativas do ramo, como o Guarulhos Convention e Visitors Bureau, serve para reforçar a imagem do município como destino para as viagens de negócios. Isso ocorre também por meio da participação da cidade em feiras nacionais e internacionais, como a La Cumbre 2007, na Flórida (EUA), que é a maior exposição do segmento turístico das Américas.

A atenção em receber bem o visitante estrangeiro fica evidente na formação de universitários de turismo para atuar no Balcão de Informações montado no Aeroporto Internacional de São Paulo. Outra iniciativa de destaque são os cursos gratuitos de capacitação em turismo aos motoristas de táxi, que aprendem a recepcionar melhor o turista.

É necessário que as cidades explorem, da melhor forma possível, seu potencial turístico. Visitante bem tratado é turista fidelizado que, com certeza, voltará. Mais do que servir para criar cartões-postais, o turismo de negócios significa a criação de novos empregos, a melhoria da infra-estrutura local e a entrada de divisas para os municípios. Afinal, uma cidade só é boa para o turista se for boa para a população.

O autor, Marco Iannoni, é presidente do Guarulhos Convention e Visitors Bureau (GRUCVB). E-mail: grucvb@grucvb.org.br