08 de julho de 2026
Polícia

Chileno detido terá de deixar o Brasil

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Um chileno que pedia dinheiro no Centro de Bauru foi detido pela Polícia Militar (PM) na tarde de anteontem. Com visto de turista, Milenco Ilich Ilich, 26 anos, se dizia missionário de uma igreja evangélica chilena e estava tentando levantar dinheiro para suposto tratamento médico de uma menina do seu país. Levado à Polícia Federal (PF), ele foi liberado, pois não foi configurado crime, mas foi notificado a deixar o Brasil em oito dias.

Por volta das 14h30 de anteontem, a polícia deteve o rapaz na porta de um banco na Praça Rui Barbosa. Ele trazia consigo mais de cem fotos de uma menina que ele dizia estar doente e precisando de ajuda, R$ 92,75 e um CPF.

Levado à Polícia Federal, Ilich – que está no Brasil desde 31 de julho – afirmou que é missionário de uma igreja evangélica chilena, a “Misión Evangelica Victoria de Cristo”, e que estava no País com sua esposa para arrecadar dinheiro para o tratamento da menina. Segundo ele disse aos policiais, a criança atendida por sua congregação sofreria de uma grave doença pulmonar.

De acordo com o delegado Antônio Vaz de Oliveira, da PF, o chileno, que é natural de Santiago, ingressou de forma regular no Brasil, mas sua situação se tornou irregular. Como ele entrou com visto de turista - que autoriza a pessoa permanecer 90 dias no Brasil, prorrogáveis por mais 90 dias em um período de 12 meses - não poderia praticar nenhuma atividade fora turismo no Brasil. “Ele precisaria de um visto que o permitisse desenvolver atividades religiosas em território nacional”, explica o delegado.

Apesar de estar com o cartão de entrada no País de sua mulher, Ilich foi apresentado sozinho na Polícia Federal. Por conta do seu visto irregular, ele foi notificado a deixar o País em até oito dias e foi liberado pela Polícia Federal. Segundo o delegado, não foi caracterizado estelionato porque as doações recebidas por ele foram de caráter espontâneo e não houve a apresentação de vítimas.

Caso seja flagrado no Brasil depois desse período, o chileno pode ser deportado.

Cuidados

O caso envolvendo o chileno levanta suspeitas. Um dos golpes mais antigos e comuns de serem aplicados é o de pedir doações para doente, sem apresentar comprovação do paciente e sua respectiva moléstia. Há um ano, a polícia de Vitória da Conquista, na Bahia, prendeu uma família romena acusada de aplicar um golpe usando panfletos com a fotografia de uma criança que estaria doente para qual pedia ajuda. Com os romenos foram encontrados mais de três mil panfletos e R$ 19 mil que, segundo a polícia baiana, foram conseguidos através de doações do suposto golpe.

As proximidades de agências bancárias são os locais mais procurados pelos golpistas. Geralmente, os estelionatários ficam de olho em quem sai do banco com grandes quantias em dinheiro para aplicar o golpe do bilhete premiado e o do pacote - na semana passada, uma mulher perdeu R$ 1,8 mil em Bauru neste golpe. De acordo com a PM, estes casos são mais comuns nos primeiros dias do mês, quando as pessoas recebem seus salários.

Outros tipos de golpes envolvem mais persuasão, como o da pessoa que se finge ser estudante e pede para os transeuntes comprarem uma assinatura de revista, para auxiliar uma suposta bolsa de estudos.