09 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de pescador: A nota fiscal


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Por volta do ano 2000, combinamos com companheiros de Avaí de pescar lambari no piscoso rio Batalhinha, onde pretendíamos passar o dia pescando e fritando o delicioso peixinho, sempre acompanhados de uma cervejinha.

Assim foi feito e no dia marcado saímos bem cedo com uma caravana de 12 pessoas à bordo de três caminhonetes duplas, e ao chegar no local, após nos instalarmos, partimos para a pescaria. No acampamento, ficaram o Uriel encarregado da cozinha e o Nezão, que limparia os peixes.

Durante toda a manhã, era constante o tráfego dos companheiros pelo acampamento, os quais traziam os lambaris para serem limpos e aproveitavam para dar uma “bicada” na cervejinha. Por volta das 14h, a pescaria fora encerrada pois a fritada já estava pronta. Ficamos batendo papo, jogando truco até de tardezinha, quando os companheiros resolveram ir embora.

Na volta, os companheiros resolveram parar no sítio do senhor Tanaka, grande produtor de mel. Como não tinha ninguém no sítio, resolveram pegar uma caixa de mel, a qual foi dividida em favos entre os companheiros. No momento, um dos companheiros teve uma forte diarréia e fez suas necessidades atrás de sua caminhonete e, tão logo se aliviou e como não havia papel higiênio, usou uns papéis que sempre guarda no porta-luvas de seu automóvel, e fez a sua higiene.

Cinco dias após a pescaria, o nosso companheiro recebeu em sua casa uma intimação a comparecer Delegacia de Polícia local. Bastante surpreso ele foi à delegacia, onde foi informado que o senhor Tanaka deu queixa de furto de caixas de abelha em seu sítio e o mesmo era suspeito, já que fora encontradas no local várias notas fiscais em seu none usadas como papel higiênico. Nervoso e envergonhado, o colega contou a verdade sobre os fatos, e por gentileza do senhor Tanaka e do delegado, um acordo foi feito e o sitiante foi regiamente indenizado. Não se conformando com o fato, procurou os demais colegas de pescaria e, ao narrar o ocorrido, solicitou que os mesmos rachassem a despesa.

O nome de nosso colega foi omitido para não constrangê-lo ainda mais. Com certeza agora ele não deixa de carregar dois rolos de papel higiênico consigo e hoje não pode ver mel, e ainda briga se o chamarmos pelo apelido de “Nota Fiscal”.

Sérgio Andrade Moreira é pescador de contador de histórias.