Nova York - Um caso de agressão envolvendo adolescentes da cidade de Jena, no sul dos Estados Unidos, devolveu às manchetes norte-americanas a delicada questão das tensões raciais no país.
Ontem, milhares de pessoas de diferentes procedências saíram às ruas da cidadezinha da Louisiana para manifestar apoio a seis adolescentes negros que podem ser condenados à prisão por tentativa de assassinato de um colega branco devido a uma briga na escola.
A história começou há pouco mais de um de um ano, no início do período letivo de 2006 da escola de Ensino Médio de Jena. Em uma reunião com a direção sobre a volta às aulas, um aluno negro perguntou, em tom de brincadeira: “Podemos nos sentar sob aquela árvore no pátio?”.
A árvore era um ponto de encontro de alunos brancos. “Você sabe que pode se sentar onde quiser”, respondeu o vice-diretor, Gawen Burgess. Na manhã seguinte, duas forcas - numa a Klu Klux Klan - surgiram penduradas na árvore.
Identificados os três estudantes brancos responsáveis, a escola recomendou sua expulsão. Mas o comitê de punições optou por uma suspensão.
A decisão provocou reações da comunidade negra, e o caso ganhou as manchetes locais.
A história atingiu seu clímax quando, em 4 de dezembro, um grupo de adolescentes negros espancou Justin Barker, branco, dentro da escola. Bastante machucado, Barker chegou a ser hospitalizado e liberado em um intervalo de horas.
Seus seis supostos agressores - incluindo um menor de idade - foram presos e acusados de tentativa de homicídio.
Foi o estopim para uma onda de protestos que culminou na marcha de ontem, da qual participaram de 8.000 a 20.000 pessoas, e atraiu atenção nacional. Os manifestantes alegam que os rapazes -agora conhecidos como “Os Seis de Jena”- estão sendo tratados com excesso de severidade, pois episódios semelhantes protagonizados por adolescentes brancos teriam tido punições mais brandas.