O tempo alcançou Marilyn Manson. Quando tocou pela primeira vez no Brasil, há dez anos, ele ainda era um escândalo ambulante, chocando sensibilidades com seu heavy metal teatral e blasfemo. Hoje, o artista que sobe ao palco do Via Funchal, na Capital paulista, para apresentar o repertório de seu último disco, “Eat Me, Drink Me”, além de hits como “The Beautiful People”, é uma pessoa mais madura, como ele diz à reportagem.
“Cresci como performer, como cantor e como pessoa. Estou mais velho e maduro, descobri que o esquema de sexo, drogas e rock’n’roll das turnês é muito perigoso. Cheguei a ficar num estado tão miserável que não queria mais fazer música”, diz Manson, por telefone. A fase “miserável” de sua vida levou a um intervalo de quatro anos sem gravar e, somada às crises de seu casamento e com sua gravadora, fez o cantor pensar em largar a música.
“Achei que já tinha dito tudo que devia dizer em discos como ‘Antichrist Superstar’, o mundo finalmente tinha entendido minha ironia, não era mais preciso ter coragem para fazer o que eu fazia, estava mais satisfeito como pintor.” A saída que levou Manson de volta à música foi escrever letras pessoais, das quais “Eat Me, Drink Me” está cheia.
Um novo romance, com a atriz Evan Rachel Wood, 19 anos, também o ajudou nessa retomada. “Eu me dei conta de que a música é o centro de tudo o que sou. Sinto que, pela primeira vez, realmente gosto de ser um cantor com uma banda, e estou com o grupo mais forte que já tive, musicalmente.”
É esse novo Manson que o público vai poder ver hoje e também amanhã, pela TV, durante a festa do Video Music Brasil, da MTV. Por fim, os quadros do astro também estarão em exibição em São Paulo por três semanas, a partir de amanhã, na galeria Romero Britto (rua Oscar Freire, 562, São Paulo; telefone 11-3062-7350). Show de Marilyn Manson hoje às 22h no Via Funchal (rua Funchal, 65, Vila Olímpia, São Paulo). Ingressos de R$ 160,00 a R$ 270,00. Mais informações: (11) 3188-4148.