Nova York - Apesar de o presidente George W. Bush ter anunciado sanções americanas contra a ditadura de Mianmar, o Irã permaneceu ontem o assunto central no primeiro dia de pronunciamentos na 62.ª Assembléia Geral das Nações Unidas.
O próprio Bush, que fez o segundo dos 27 discursos programados, criticou o regime islâmico, ao colocá-lo, ao lado da Belarus, Coréia do Norte, Síria e Cuba, como países em que “os povos sofrem debaixo de ditaduras”. O presidente americano não citou seus aliados, tal o Paquistão e a Arábia Saudita.
Bem mais contundente, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse que “não haverá paz no mundo se a comunidade internacional der provas de fraqueza diante da proliferação de armas nucleares”. Referiu-se claramente ao Irã e disse que, se aquele país construir a bomba, “deixaremos que a estabilidade da região e do mundo corram um risco inaceitável''.
Horas antes, a chanceler alemã, Angela Merkel, ameaçou com novas sanções o Irã, caso não haja concessões.
O Kuwait, cujo representante não estava escalado para discursar, entrou indiretamente na discussão por meio do xeque Jaber Al-Sabah, ministro da Defesa e do Interior. Afirmou que o emirado não permitirá que o seu território, onde há bases militares americanas, seja utilizado para atacar o Irã.
Resposta de Ahmadinejad
O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, estava em plenário e seria o sexto orador da sessão vespertina. Fez um longo pronunciamento. Não mencionou nenhuma vez os Estados Unidos. Mas referiu-se sardonicamente “a uma certa potência” e a acusou de todos os males - desde a dessacralização das mulheres, com o suposto enfraquecimento da família, até a instabilidade geral do Oriente Médio.