O que seria um dia de travessuras entre amigos terminou em um trágico acidente na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, a Bauru-Jaú, causando a morte de um menino de 13 anos. No início da tarde de ontem, Paulo Pereira de Lima Filho morreu atropelado quando estaria tentando atravessar a pista, na altura do Zoológico Municipal, na companhia de outros três meninos, que também seriam pré-adolescentes.
Ao invés de ir para a escola, eles estavam na rodovia supostamente para ir brincar do outro lado. Paulo foi colhido pelo Vectra prata placas CVV 5153, de Bauru, conduzido pelo dentista Daniel Batista Sartorato, 28 anos. Os outros três garotos saíram ilesos e deixaram o local antes de serem identificados pela polícia ou por familiares da vítima.
O acidente ocorreu por volta das 13h20. Daniel seguia no sentido Jaú-Bauru e, no quilômetro 230 mais 950 metros, na altura do zoológico, deparou-se com os quatro garotos. Pelas marcas de frenagem deixadas na pista, o dentista tentou desviar, mas acabou por atingir Paulo pelo lado direito do veículo. Após o choque, o carro ficou desgovernado, invadiu o canteiro central, voltou para a pista, entrou no canteiro lateral e parou somente ao colidir com a proteção metálica.
Com a força do impacto, Paulo foi lançado a mais de 20 metros de distância, caindo no acostamento. Pelo caminho, restaram apenas partes da lataria do veículo, um boné, uma pulseira e um relógio despedaçado. Socorrido, o adolescente foi levado com vida até o Pronto-Socorro Central, mas não resistiu aos ferimentos.
A suspeita, segundo policiais e familiares, é de que os meninos tenham deixado o Núcleo José Regino, onde Paulo morava, em direção ao zoológico, já que na altura em que o atropelamento ocorreu, o alambrado do Jardim Botânico está violado. “Há um buraco lá e a molecada fica atravessando diuturnamente para invadir o local, mas esta passagem é irregular”, frisa o soldado Losilla, da Base do Policiamento Rodoviário, que atendeu a ocorrência.
Desespero
Os primeiros familiares a chegar no local, antes mesmo dos policiais, foram o pai da vítima, uma das irmãs, Isabella Cristina, 14 anos, e a prima Rita de Cássia Pereira de Lima, 24 anos. Eles foram informados do acidente por conhecidos do bairro que moram às margens da rodovia. “Tinha muita gente, todos nós ficamos muito nervosos. O pai dele estava desesperado e chorava muito. Ele estava muito machucado. Tinha muitos objetos dele na pista. Foi a cena mais triste da minha vida”, lembra Rita, bastante emocionada.
O pai do adolescente, desesperado, teria gritado com o motorista do Vectra, perguntando: “O que você fez com meu filho?”. Com medo de ser linchado, Daniel pegou carona com um caminhoneiro, mas retornou logo que avistou a viatura da polícia. Depois, foi encaminhado para o Hospital Beneficência Portuguesa em estado de choque. Ele irá responder processo por homicídio culposo, sem a intenção de matar.
Segundo familiares, Paulo deveria ter entrado na escola Estadual Francisco Alves Brizola, no Núcleo Geisel, às 13h. De lá, só sairia às 18h. A suspeita é de que ele e os amigos tenham combinado ‘matar aula’ para uma tarde de passeio no Zôo. “Antes de sair de casa ele fez um suco, dizendo que estava calor e que iria tomar no intervalo da aula”, conta a prima.
A reportagem do JC entrou em contato com a escola, mas a diretoria não concedeu entrevista, afirmando que todas as informações sobre a morte do aluno seriam prestadas pela Diretoria Regional de Ensino. Entretanto, nenhum representante do órgão retornou aos recados deixados pela reportagem.
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Querido
Paulo Pereira de Lima Filho tinha completado 13 anos no último dia 15, quando ganhou bolo de aniversário da mãe e um passeio no shopping com a madrinha, com direito a compra de bermudas e camisetas de sua escolha. Segundo os familiares, o menino era uma pessoa ativa, como todo adolescente de sua idade, e muito querido no bairro.
O garoto era freqüentador assíduo da Igreja Quadrangular do Núcleo José Regino, onde tocava violão e participava de um grupo de dança. “Era uma pessoa boa, um ‘molecão’ que gostava muito de brincar. Ele sabia fazer pipa e todo mundo o procurava para montar o brinquedo para as crianças”, lembra a prima Rita de Cássia Pereira de Lima, 24 anos.