08 de julho de 2026
Regional

Bauru perde a regional da Funai

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru não será mais a sede da regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) no Estado de São Paulo. A sede será transferida para o Litoral Paulista, mas oficialmente ainda não foi definido para qual município e nem quando ocorrerá a mudança. A transferência de Bauru foi confirmada ontem ao JC pela assessoria de imprensa da Funai em Brasília.

Extra-oficialmente, o JC obteve a informação de que Santos tem grande probabilidade de sediar a regional da Funai.

Sobre o novo administrador já é certo, conforme a assessoria de imprensa, que não será nomeado José Carlos Gabriel (Poty), presidente do Núcleo de Tradições Indígenas. A assessoria informou que a indicação de Gabriel não foi aprovada pelo gabinete da Funai em Brasília. O nome de Gabriel foi indicado por um grupo de líderes indígenas da região de Bauru e do Rio de Janeiro para o lugar do ex-administrador Newton Machado Bueno, que esteve à frente da regional até 28 de junho deste ano.

No entanto, o JC apurou que Gabriel foi barrado no pente-fino por pendências judiciais com a Justiça em Santa Catarina. Esse seria o motivo de sua indicação não ser aprovada na avaliação da Casa Civil e do Ministério da Justiça, ao qual a Funai está subordinada.

Como já divulgou o JC, a presidência da Funai nomeou interinamente Cristino Aparecido Cabreira Machado para administrar a regional em Bauru até que se efetive as mudanças em curso. Ele desempenha a função de administrador desde o último dia 28 de agosto.

Implantada há cerca de 30 anos na cidade, a regional do órgão federal atuava em todo o Estado de São Paulo. Na estrutura atual da Funai, Bauru deixa de ser a sede da Administração Executiva do órgão no Estado de São Paulo. Além de Bauru, outras 22 regionais estão distribuídas por todo o País. No escritório da rua Xingu, conforme Machado, trabalham 22 servidores federais, além do administrador.

A decisão de tirar a regional de Bauru não é atribuída à pressão feita pelo grupo de caciques, que iniciaram um levante em maio deste ano. A Funai atribui a mudança de cidade a uma ampla reestruturação da Fundação em todo o País.

O fato é que a decisão ocorre após desentendimento entre caciques da região de Bauru e Rio de Janeiro e o último administrador, Newton Machado Bueno. A disputa de poder pela regional estourou há cinco meses, quando as lideranças indígenas acusaram e acuaram Bueno, na sede do órgão em Bauru.

Em resposta, no dia 20 de junho, ele disse ao JC que se tratava de um movimento para destituí-lo do cargo. “É um movimento político. Todas as acusações são inverdades, denúncias infundadas”, respondeu à época. No dia seguinte, caciques invadiram a Funai. Os funcionários ficaram impedidos de trabalhar e do lado de fora do escritório.

Numa tentativa solitária de manter o controle, Bueno contra-atacou registrando um boletim de ocorrência (BO) na Polícia Federal, o que levou a Procuradoria Federal da 3.ª Região entrar com pedido de reintegração de posse.

Para selar a paz entre Funai e os 30 caciques da região de Bauru e Rio de Janeiro, a presidência do órgão enviou, no último dia 28 de junho, o assessor Eimar Araújo. Bueno foi afastado do cargo de administrador e retomou suas funções como funcionário.

Sem um administrador, a regional passou por um “apagão”. Aluguel, contas de água, luz e telefone ficaram atrasadas, conforme matéria do JC em 20 de julho último.

O presidente da Funai, Márcio Augusto Freitas de Meira, nomeou Cristino Machado, que assumiu a função de administrador substituto no final de agosto. As contas foram colocadas em ordem e Machado deu prosseguimento às atividades da regional.