O médico completo, o anestesista poeta, o intelectual de todas as literaturas e idades. O homem que nos eventos de nossa Bauru ,com sua simples presença e fala majestosa, fazia o show, sem arranjos, sem instrumentos ou fundo musical. Seus discursos ecoavam ,na Beneficência Portuguesa, no Centrinho,na Academia Bauruense de Letras, na Câmara ou nas Praças, como ocorreu na Rui Barbosa, por ocasião da entrega dos documentos que ali permanecem. E eu dizia ao grande jornalista Zarcillo Barbosa: “Que me perdoem os outros, mas você, doutor Nilson Costa e doutor Olegário, constituem raça em extinção, da mais pura intelectualidade bauruense”. Precisamos preservar, pois difícil será registar a História sem vocês! Amava a Bahia, mãe biológica, mas era apaixonado por Bauru e pela sua gente, tanto é que quando comprou terras naquele estado, denominou de Bauru, seu sentido obrigatório, tanto no âmbito familiar como no profissional e social.
E quanto ensinou para quem queria ouvi-lo; não tinha preguiça de ser mestre. Deus havia doado tamanha inteligência e ele para honrar erigia-se a um agente multiplicador de sabedoria e sensatez. Um anestesista sem incidentes cirúrgicos, um amigo dos melhores, colega de seus pares. A ética era sua companheira diuturna. Foi homenageado em diversos estados de nosso País, fatos que poucos conhecem. E tem mais: quando percebia dificuldade financeira do paciente, mas que fazia questão do seu profissionalismo, atuava com a mesma perícia e prudência, só que na hora do acerto das despesas hospitalares, aparecia seu receituário com a palavra "cortesia" e assinatura. Aconteceu comigo. Como Fernando Pessoa, o senhor também achava que “tudo vale a pena quando a alma não é pequena...”
Caro doutor, prossiga sua viagem pelo “mar português”.
Homenagem de Catarina Carvalho, familiares, amigos, e da Escola Apiece