Botucatu - A Delegacia Seccional definiu um terreno, localizado a cerca de 15 quilômetros do Centro de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), como opção para abrigar o Centro de Detenção Provisória (CDP) regional. O local deve ser avaliado pela prefeitura, que pretende realizar uma audiência pública para decidir sobre a questão.
Segundo o delegado Seccional de Botucatu, Tadeu Campos de Castro, o terreno escolhido está em uma área entre os municípios de Botucatu e São Manuel. Formado por 4,5 alqueires, a área estaria avaliada em torno de R$ 150 mil. Conforme o JC apurou, o proprietário do terreno teria dado opção de venda à prefeitura por 60 dias.
Apesar da indicação, o vereador José Aurélio Pagani (PT) explica que a prefeitura pretende fazer uma audiência pública onde devem ser apresentadas outras opções de terrenos para o CDP. “O prefeito tem que indicar para a audiência pública três terrenos para que haja uma discussão em cima disso. Este é um dos três”, lembra o parlamentar.
O vereador ressalta que, quem deve indicar as outras áreas, é o prefeito Antônio Mário Ielo (PT) e a escolha deve ser feita com a participação da população. “A gente vai aguardar ele indicar para depois fazer a audiência pública e bater o martelo - fazer uma escolha com a presença da população. Ela vai ter a opção, também, de escolher o terreno”, garante.
A escolha perfeita, na verdade, seria uma área que, além de ficar afastada de áreas populacionais, não precisasse ser comprada pela prefeitura, ou seja, um terreno do Estado, por exemplo.
“Tem terreno aqui que é do Estado e eles poderiam aproveitar para o CDP. Como, por exemplo, próximo à rodovia Castelo Branco. É sobre esses terrenos que nós vamos falar com o prefeito para que ele converse e vá atrás, porque é o que menos oferece problemas para todos em Botucatu”, comenta Pagani.
Segundo o vereador, apesar de estar localizado distante do Centro da cidade, a área sugerida pelo delegado seccional já é motivo de reclamação por parte dos moradores vizinhos ao local.
“Nós temos um abaixo-assinado do pessoal onde está a Cadeia Pública (pedindo para fechá-la) e temos um abaixo-assinado dos moradores próximos a este terreno que foi indicado agora (para que não se construa o CDP)”, explica. “Têm sitiantes e moradores lá. Todos estão defendendo sua área, sua propriedade”, comenta Pagani.
Por outro lado, Castro considera que, dos terrenos vistos até agora, o indicado por ele é o que oferece melhores condições para abrigar o CDP.
“É o terreno mais barato que nós achamos aqui”, disse ele. Apesar disso, Castro ressalta que a decisão cabe à administração municipal, que é quem deve comprar e doar o terreno para o Estado; e também da SAP, que precisa fazer uma avaliação técnica e aprovar a área.
Seguro
O delegado seccional lembra que o CDP não oferece perigo para os moradores da cidade e cita o exemplo da unidade instalada em Bauru.
“A (extinta) Cadeia de Bauru vivia tendo problemas e tentativas de fuga e rebelião, eu me lembro porque trabalhei em Bauru. O CDP só traz benefícios para a cidade. Em Bauru, inclusive, o CDP é praticamente dentro da cidade e não há problemas”, alega. “O que não pode é nossa Cadeia ficar com 200 presos do jeito que está”, conclui Castro.