São Paulo - A polícia de São Paulo afirma que o detento Ademir Oliveira do Rosário, acusado de torturar e matar dois irmãos de 13 e 14 anos, atacou pelo menos outros 11 meninos. Os garotos, vítimas de atentado violento ao pudor, foram agredidos nas dez vezes em que o preso foi autorizado a deixar o hospital psiquiátrico onde estava internado.
As vítimas, diz a polícia, têm entre 9 e 17 anos e foram atacadas na região onde ocorreu o duplo assassinato, na serra da Cantareira (zona norte de SP). Seis deles apontaram o acusado como o homem que as agrediu. Os demais ainda não fizeram o trabalho de reconhecimento.
Rosário, de 36 anos, estava no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico 2 de Franco da Rocha (Grande SP) desde 19 de setembro de 2006 para cumprimento de desinternação progressiva. A Secretaria da Administração Penitenciária não detalhou, hoje, em que condições o preso, que deveria cumprir pena até 2018, obteve o benefício de deixar a unidade aos finais de semana. Ele recebeu laudo favorável de dois psiquiatras ligados à secretaria.
Na unidade de Franco da Rocha, Rosário obteve a primeira permissão para ficar o fim de semana com sua família em 25 de novembro de 2006. A última foi em 21 de setembro. Um dia depois, ele, segundo confessou à polícia, usou uma faca para matar os irmãos Josenildo José Ferreira de Oliveira, 13 anos, e Francisco Ferreria de Oliveira Neto, 14 anos.
Mas ele, ainda segundo a polícia, não admitiu ter abusado dos outros 11 adolescentes. “Em princípio, negou. A medida que íamos relatando fatos que o fizessem voltar à cena do crime, ele começou a chorar e contou como matou os meninos. É um indivíduo frio e, se Deus quiser, ficará recolhido”, disse o delegado Francisco Petrarca Ielo Neto, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Rosário foi preso ontem pela polícia após três jovens terem dito que foram atacados por ele no mesmo dia em que os meninos foram mortos. A Justiça decretou a prisão temporária do suspeito por 30 dias.
De acordo com a delegada Cíntia Tucunduva, do DHPP, Rosário tinha predileção por garotos. Não os roubava mas os abordava para praticar atos sexuais à força com eles. “A escolha era aleatória. Ele ficava numa pedra. Usava uma faca ou fingia usar uma para levar as vítimas a uma trilha perto de uma casa na árvore. No chão, se despia e pedia para todos fazerem o mesmo. Eles tinham as mãos amarradas com cadarço (que carregava em volta do pulso). Escolhia um para abusar e os demais tinham a cabeça coberta com as próprias roupas”, disse Tucunduva.
Segundo a delegada, ele alegou que matou os dois garotos porque teve alucinações e cometeu uma “bobeira.” Rosário tem de tomar remédio controlado - Diazepan. “Ele disse que começou a ter visões, dizendo que havia leões em volta e animais que queriam pegá-lo. Aí falou que dá a “bobeira’ e desferiu as facadas no mais velho. Voltou para o outro e o matou.”
Ao ser apresentado à imprensa, Rosário, que já havia sido condenado por homicídio, roubo e atentado violento ao pudor, chorava. Questionado se se arrependia pela morte dos irmãos, o suspeito balançou a cabeça afirmativamente. A polícia ainda investiga se há mais vítimas do suposto maníaco e se ele, em algum dos crimes, agiu com a ajuda de mais alguém.