09 de julho de 2026
Nacional

Marcos Palmeira se reencontra nas telas

Por Silvana Arantes | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

O ator Marcos Palmeira encarna, a partir de hoje nas telas, “O Homem que Desafiou o Diabo”, adaptação do livro “As Pelejas de Ojuara”, de Nei Leandro de Castro, que o produtor do filme, Luiz Carlos Barreto, situa “na tradição da comédia picaresca nordestina”.

Palmeira viu no convite para protagonizar o novo longa de Moacyr Góes a oportunidade de espantar um demônio interior - o da crise profissional, despertada “na virada dos 40”. Interpretando o galã de “Celebridade” (2003-2004), novela das oito escrita por Gilberto Braga, o ator se percebeu como “um canastrão de primeira, profissional mesmo!”. É que, submetido à maior vitrine da teledramaturgia brasileira, o horário nobre da TV Globo, o trabalho de Palmeira andava agradando a audiência e desagradando a ele mesmo.

“Ali, eu fui ao auge do que poderia me dar naquele momento e me vi num vazio muito grande. Pensei: estou me dando para burro e nada me preenche. Preciso me desconstruir.” Para a “desconstrução”, freqüentou oficinas que auxiliam os atores a se expressar apenas com movimentos corporais. A quem se habituou ao universo palavroso das novelas, os exercícios soavam como um convite para abandonar um vício.

“Você começa a fazer uma novela atrás da outra e passa a usar os seus recursos. Começa a repetir um repertório, porque você sabe que dá certo uma certa inflexão, um jeito, um olhar”, descreve Palmeira. O resultado é que “você vai se afastando da essência do que é o ator”, concluiu Palmeira, quando se sentiu incapaz de distinguir “onde entrava a inteligência do ator e onde estava completamente envolvido pela minha burrice como ator”.

Foi nesse momento que o diretor de teatro e cinema Moacyr Góes, amigo de Palmeira desde a infância, surgiu com a proposta para que ele interpretasse “O Homem que Desafiou o Diabo”. “É um personagem supercomplexo, dificílimo. Era a minha oportunidade de me afastar do personagem para tentar ser ele”, ou seja, de pôr à prova sua inteligência como ator, avaliou Palmeira.

Chacota

Ele começa o filme vivendo o caixeiro viajante José Araújo. Boa praça e mulherengo, após a uma aventura de uma noite, Araújo acaba sendo obrigado a casar-se com Dualiba (Lívia Falcão), a filha do temido Turco (Renato Consorte). Depois do casamento, ele passa a ser explorado pelo sogro e humilhado pela mulher. Quando descobre que é motivo de chacota na cidade, Araújo dá seu grito de independência rompendo com todos, inclusive com sua antiga identidade.

Ele mesmo se rebatiza Ojuara - o antigo nome, de trás para a frente - e passa a viver como um cavaleiro errante, enfrentando todos os adversários, ainda que seja o diabo encarnado. Palmeira define Ojuara como “um poeta da vida”, alguém que “encara a vida com o olhar da poesia”. Como “a poesia permite tudo”, Ojuara termina sendo um personagem que “não tem preconceitos”. Quando se viu na telona como José Araújo/Ojuara, o ator reencontrou uma velha sensação - o orgulho do próprio trabalho. “Fiquei feliz com o resultado. Gostei de me ver. Eu me achei divertido, verdadeiro”.