08 de julho de 2026
Internacional

Mianmar: confrontos matam ao menos 9

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Yangun - Ao menos nove pessoas - entre elas um japonês - morreram ontem durante confrontos entre tropas e manifestantes nas ruas de Yangun, a maior cidade de Mianmar. A violência ocorreu enquanto centenas de milhares de ativistas pró-democracia tomam as ruas para se manifestar contra o governo administrado por uma junta militar.

Um japonês estaria entre as vítimas, de acordo com relatos da Embaixada do Japão. Ele foi identificado como o jornalista Kenji Nagai, 50 anos, que trabalhava para a agência France Presse.

Anteontem, confrontos entre tropas e manifestantes contrários à junta militar que governa o país deixaram três mortos - dois monges e um civil - em Yangun. Ao menos cem monges budistas foram agredidos e detidos por soldados, segundo testemunhas.

Os protestos - os maiores em 20 anos - se iniciaram em agosto, devido ao aumento no preço de combustíveis.

A manifestação cresceu e ganhou adesão de vários grupos do país, que foram além da questão econômica e adentraram na seara política. “Queremos liberdade!”, gritavam alguns dos manifestantes para os soldados nas ruas.

Em Mandalay, localizada 695 km ao norte de Yangun, cinco caminhões do Exército foram vistos entrando no pagode de Mahamuni (santuário oriental de vários andares em forma de pirâmide), onde centenas de monges foram detidos pelas forças de segurança.

Mianmar é um país da Ásia meridional governado por um governo militar desde 1988 que reprime com força manifestações a favor da democracia.

Em setembro, monges budistas aderiram aos protestos e isto mudou o peso das manifestações, pois limita a repressão. Apesar da repressão aos protestos e do toque de recolher decretado pela junta militar em Yangun e Mandalay, os monges afirmaram que vão continuar com as manifestações. A ordem emitida na terça-feira proibe a reunião de mais de cinco pessoas em público e foi completamente ignorada pelo público em geral, assim como os manifestantes.

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Sanções

O Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou que um enviado da entidade irá ao país para avaliar a situação.

A secretária americana de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, exigiu que a junta militar dê um visto de entrada no país para o enviado especial da ONU, e também que permita o acesso do enviado à prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, em prisão domiciliar em Yangun. “Ele (o enviado especial) tem que ser autorizado a ir a Mianmar, e deve obter um visto imediatamente”, declarou Rice em Nova York, à margem da Assembléia Geral da ONU.

“Ele deve poder se encontrar com os líderes da oposição, inclusive com Aung San Suu Kyi”, disse. Aung San Suu Kyi, a principal figura da oposição de Mianmar, passou a maior parte dos 18 últimos anos em prisão domiciliar.

China

Os EUA pedirão à China que pressionem Mianmar para não realizar ações violentas para reprimir os protestos. O secretário-assistente do Departamento de Estados dos EUA Christopher Hill planeja discutir a ação militar levada contra Mianmar com oficiais chineses nesta semana em Pequim, segundo o porta-voz do Departamento Estado Tom Casey.