Fuji, Japão - Foram quase duas semanas de reclamações, desmentidos, promessas e desencontros. Mas na madrugada de amanhã, à 1h30, com a largada para o GP do Japão, Fernando Alonso e Lewis Hamilton levam para a remodelada pista de Fuji uma das maiores rivalidades que a Fórmula 1 viu nos últimos anos.
Após começarem a temporada dividindo o mesmo videogame, hoje mal se falam. Trocam opiniões via imprensa espanhola e inglesa, que passaram a tratar a rivalidade como uma guerra e a defender “seus pilotos” com unhas e dentes. Separados por apenas dois pontos, ambos sabem que a corrida é vital para manterem vivas suas chances de título. E depois de abrirem 13 e 11 pontos para Kimi Raikkonen e 20 e 18 para Felipe Massa, respectivamente, sabem também que a maior preocupação não é mais com a dupla ferrarista, mas sim na própria McLaren.
Dos quatro que matematicamente podem ficar com o título, apenas os dois dependem exclusivamente de seus resultados para serem campeões. “Estou no meu melhor momento dentro do time, esportivamente falando”, disse Alonso, o vice-líder. “Estou caminhando para uma virada no campeonato, agora falta só um pouquinho”, completou ele.
Há duas semanas, em Spa-Francorchamps, o bicampeão já deu mostras de como se comportará daqui para a frente. Largando em terceiro e tendo Hamilton a seu lado no grid, o espanhol fechou a porta para o companheiro de equipe na primeira curva, forçando-o a utilizar a área de escape.
A manobra na Bélgica causou uma celeuma que se estendeu até o paddock de Fuji. Insatisfeito com o que considerou uma atitude desleal de Alonso, Hamilton declarou que iria conversar com ele sobre isso. Mas acabou deixando a idéia em segundo plano. “Acabamos não nos encontrando”, disse o inglês nos escritórios improvisados da equipe, enquanto Alonso batia papo animadamente com a namorada e jornalistas do outro lado da tenda.
“Aquilo ainda está na minha cabeça. Eu deveria dizer algo, mas acho que provavelmente ele sabe”, disse Hamilton. “Acho que ele precisa saber como estou me sentindo. A verdade é que não sei se ele fez aquilo de propósito ou não, me pareceu que sim, mas não sei.” O inglês, que antes evitava entrar em polêmicas, parece estar pouco a pouco se soltando. “Ele (Alonso) não é a pessoa que imaginei que fosse. Da próxima vez não vou dar brecha.”
O espanhol, que sempre teve a língua afiada, não deixou a declaração passar em branco. “Tenho minha opinião sobre isso, mas não vou falar”, disse. “Ele também não é quem eu pensava, ainda mais depois do que aconteceu na Hungria, das discussões que ele e o Ron (Dennis, chefe da McLaren) tiveram na frente de todos.” E logo depois suavizou os comentários. “Mas tenho certeza de que o Lewis não disse nem 10% do que tem sido dito.” Independentemente disso, a a largada da próxima madrugada tem tudo para ser emocionante, ainda mais depois do que se viu e ouviu nas últimas semanas. Espaço não vai faltar, já que Fuji agora possui a maior reta da F-1, com 1.475m.
Na TV - GP do Japão Globo, ao vivo, à 1h30 de amanhã.