09 de julho de 2026
Nacional

Mulher chefia quase 30% dos lares

Folhapress
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Rio - De segunda a sábado, das 7h às 20h, ela ganha a vida fazendo unhas em um pequeno salão montado na garagem de casa, na zona leste de São Paulo. À noite, cuida do marido e dos afazeres domésticos. Angela Maria Lima de Brito Oliveira, 48 anos, está no crescente contingente de mulheres que chefiam o lar e são casadas: eram 20,7% das chefes de família em 2006, mais do que os 9,1% de 1996.

Pelos dados da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, quase 30% dos domicílios do País - 29,2% - tinham, em 2006, mulheres à frente. O percentual era menor em 1996 - 21,6%. Segundo Ana Lúcia Sabóia, coordenadora da pesquisa, a grande novidade que veio à luz nos últimos anos é o aumento de mulheres que, mesmo casadas, chefiam o domicílios.

De um lado, diz, é reflexo do “empoderamento” das mulheres, que passaram a ganhar, a assumir cargos de gerência e se integrar mais ativamente na vida social. De outro, avalia, retrata também o problema do desemprego e da carência de renda dos homens. Apesar da forte expansão nos últimos anos, a chefia feminina do lar predomina ainda em residências onde elas vivem sem o marido - 79,3% em 2006, contra 91,9% em 1996. Na definição de quem é o chefe, o item mais importante é, sem dúvida, a renda.

“Nunca parei para pensar nisso, mas, de fato, se sou eu quem ganha mais e paga a maior parte das contas, eu sou a chefe da família”, diz Angela, que ainda ajuda o filho que estuda no Rio. Ela consegue um rendimento de cerca de R$ 1.800,00 com a atividade de manicure e a venda de cosméticos e produtos em catálogos. O marido, o cabeleireiro aposentado Nelson Antonio de Oliveira, 74 anos, ganha um salário mínimo e meio do INSS. “Eu pago a luz, o telefone. Quase todas as despesas. O Nelson se aposentou em 1991, mas a aposentadoria dele veio um fracasso. Já recorremos à Justiça, mas nada. Ele trabalhou durante um tempo comigo no salão cortando cabelo, mas ficou doente e parou de vez há dois anos”, conta Angela.

Dos 38,4 milhões de casais do país, o percentual de mulheres que se declaram como chefes de família é de 8,3%. Em 1996, elas não passavam de 2,6%. Em geral, a pessoa de referência era apontada com base no maior rendimento e de acordo com a posição na ocupação. Nos lares chefiados por homens, 73% das mulheres ganham menos. Segundo o IBGE, o total de mulheres que chefiavam o lar subiu de 10,3 milhões em 1996 para 18,5 milhões em 2006 - alta de 79%. Já o de homens cresceu menos - 25%. Aumentou também a proporção de domicílios com mulheres com filhos e sem marido - de 15,8% em 1996 para 18,1% em 2006.

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Rico ainda é maioria em universidade pública

Rio - O acesso à universidade pública ainda é um desafio para a população mais pobre. Dados da pesquisa mostram que mais da metade (54,3%) dos alunos que freqüentam as universidades públicas pertencem aos 20% mais ricos da população.

Segundo o IBGE, o número tem declinado nos últimos anos, mas permanece elevado. Segundo o presidente do instituto, Eduardo Nunes, ele reflete a concorrência elevada para a entrada em universidades públicas. Os estudantes mais ricos são maioria também na rede particular, com 64,2% dos estudantes. Entre os 20% mais pobres, 1,8% estão na rede pública e 1% na rede particular.

Os principais problemas escolares começam muito antes da universidade, segundo a pesquisa. Na faixa de 15 anos a 17 anos, o acesso à escola passou de 69,5% em 1996 para 82,2% no ano passado. Apesar disso, apenas 47,1% dos estudantes estão na série adequada. No Nordeste, esse percentual é ainda menor, de apenas 33,1%.