10 de julho de 2026
Nacional

FGV aponta recorde na utilização da capacidade industrial no País

Folhapress
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São Paulo - O nível de utilização da capacidade instalada da indústria atingiu em setembro o maior patamar desde janeiro de 1977, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). Neste mês, o índice ficou em 86,1%, ante 87% em janeiro daquele ano. A capacidade instalada reflete qual quantidade de produtos que uma indústria é capaz de fabricar com as máquinas e unidades que tem.

Quanto menor o uso, maior a possibilidade de a indústria atender a um crescimento de demanda sem provocar aumento nos preços. Para Aloísio Campelo Júnior, coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), ainda que em patamar elevado, o nível do uso da capacidade não é preocupante, já que vem acompanhado por investimentos e contratações. “Com economia estável e investimento, é possível operar em nível mais alto. Ao investir, se renovam equipamentos, e a capacidade não se esgota”, diz.

Para ele, o aumento de emprego também ameniza a preocupação com a forte demanda. Segundo dados da Fundação Seade e do Dieese, a indústria liderou a criação de vagas em agosto em seis regiões metropolitanas, com 97 mil postos.

No Relatório de Inflação divulgado nesta semana, o Banco Central manifestou preocupação quanto à capacidade da indústria em acompanhar o ritmo do consumo e eliminar a pressão sobre os preços, o que sinalizou uma possível interrupção do corte dos juros. “O nível de capacidade instalada traz um número forte. E, na série histórica, resultados como esse acompanham inflação mais à frente. É razoável que o BC olhe com cuidado esse dado. Mas, se decidir romper o ciclo de queda de juros agora, em 2008 vai ver que há condições para retomá-lo”, avalia Cassiana Fernandez, economista da Mauá Investimentos.

Para a economista da Tendências Consultoria Cláudia Oshiro, a expectativa é que os investimentos feitos pela indústria consigam aliviar o nível de capacidade instalada a partir do último trimestre. “É preciso seguir esse indicador com atenção, mas o cenário é positivo. A produção cresce, puxada por bens de capital (máquinas e equipamentos)”, afirma.