O setor de construção civil do Estado de São Paulo está discutindo diretrizes para a inclusão de trabalhadores portadores de deficiência nos canteiros de obra. Representantes do setor patronal avaliam que o cumprimento da legislação já existente sobre o assunto ainda não é viável pela falta de empregados qualificados. Já o segmento dos trabalhadores, afirma que o setor é um dos que mais concorrem para acidentes graves, que acabam incapacitando muitos colegas.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Bauru, Cláudio da Silva Gomes, informa que há um mês, um grupo de trabalho formado por representantes dos empregados e das empresas de todo o Estado discutem uma forma do setor se adequar à lei que determina que, de acordo com o porte do empreendimento, 5% dos trabalhadores devem ser portadores de deficiência.
“Queremos que o empregado, desde que possua a habilidade necessária, não enfrente restrições no momento da contratação. Que a deficiência não se torne um critério de exclusão”, observa Gomes. Para ele, ao cumprir a lei, o segmento agirá de forma compensatória. “A área de construção civil é uma grande geradora de deficientes físicos. É o setor onde acontecem os acidentes de maior gravidade”, destaca.
O diretor de Relações Capital-Trabalho do Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Haruo Ishikawa, ressalta que o grupo de trabalho está elaborando um pacto para o cumprimento da legislação, supervisionado pelo Ministério do Trabalho. “A intenção é criar uma agenda de execuções até a assinatura do pacto, que deverá ser realizada em dois anos”, explica.
No período, as unidades de todo o Estado dos dois sindicatos deverão desenvolver programas de capacitação desta mão-de-obra. “Em algumas grandes empresas, com mais de 100 funcionários, é difícil encontrar cinco portadores de deficiência qualificados para o serviço”, pondera Ishikawa.
Ele ressalta que já foram realizadas algumas rodadas de reuniões entre as entidades para discutir os aspectos do pacto. Ao final, representantes de todos os sindicatos do Estado, tanto os patronais quanto dos trabalhadores, deverão assinar individualmente.
Inclusão
O pintor e letrista Levi Rodrigues, 52 anos, avalia que a inclusão é uma garantia de emprego no setor. “Se os donos de empresas, as grandes empreiteiras derem a oportunidade, a gente pode mostrar nossa capacidade”, diz.
Ele perdeu a perna há um ano e oito meses, após ser atropelado por um motociclista. “Eu estava saindo do mercado e fui atingido. A pessoa que me atropelou nunca apareceu para ver como eu estou, se preciso de alguma coisa”, conta.
Mesmo sem uma das pernas, ele continuou fazendo o trabalho que já executa há 25 anos. “Fica uma situação mais difícil, mas isso não me impede de subir escada, fazer meus trabalhos com responsabilidade e profissionalismo. Eu só fico rezando para não cair e não acontecer nada com a minha outra perna”, diz.
Rodrigues também informa que está passando por sérias dificuldades, pois ainda não conseguiu nenhum benefício do governo. “O médico que fez a perícia não aprovou o meu pedido”, conta. Além disso, ele ainda luta na Justiça para conseguir parte do seu seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (Dpvat). “Quem sabe o juiz que estiver com o meu caso se sensibilize?”, espera. Rodrigues ainda informa que para contratar seus serviços de letrista e pintor de áreas internas e externas, basta telefonar para a sua casa no (14) 3281-5123.