Sempre que se aproxima o término do prazo de filiações partidárias para eleição - neste ano, ele se encerra no próximo dia 5 de outubro - é comum encontrar os candidatos, principalmente aqueles que pretendem disputar uma vaga no Legislativo, indefinidos sobre o partido em que irão concorrer nas eleições e alegando que ainda estão “fazendo contas”. Isso ocorre em virtude da existência do chamado quociente eleitoral, número que, ao mesmo tempo que define o preenchimento das vagas na Câmara, também colabora para o esvaziamento ideológico dos partidos.
No ano que vem, em razão do crescimento populacional bauruense e da legislação eleitoral que determina que o número de cadeiras seja proporcional à população, as vagas em jogo no Legislativo se elevarão das atuais 15 para 16. Com esse número em disputa, os partidos de Bauru precisariam hoje de cerca de 11.690 votos para eleger um parlamentar.
Esse número é resultado da fórmula conhecida como quociente eleitoral (veja quadro ao lado). Para se chegar a ele, é preciso fazer a seguinte conta: número de votos válidos - oriundo da subtração dos nulos e brancos - dividido pelo número de cadeiras na Câmara Municipal. No caso de Bauru, tendo como base os resultados das eleições de 2004, o número de votos válidos - 172.398 - chegou a pouco mais de 79% do total de eleitores - 218.146 - aptos a participarem do pleito na época.
Se tal média de votos válidos se mantivesse nas eleições de 2008, e levando em conta o atual número de eleitores bauruenses - segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo, até o último mês de agosto a cidade contava com 236.696 eleitores -, os votos válidos em uma hipotética eleição em Bauru hoje somariam 187.037, exatamente a média de 79% estimada.
Se esse número fosse dividido por 16, o número das cadeiras na Câmara em disputa no ano que vem, o resultado obtido geraria o quociente eleitoral: 11.690 votos - que pode variar para mais ou para menos dependendo da quantidade dos votos válidos. Esse seria o número “de ouro” que cada partido teria de atingir para eleger um representante no Legislativo hoje em Bauru.
Essa é uma das razões do fato de ser tão comum os candidatos a candidatos a vereador permanecerem, até o último instante permitido pela legislação eleitoral, em dúvida sobre qual partido se filiarão para disputar o pleito. Também por isso fazem inúmeros cálculos matemáticos, pois querem analisar - e descobrir a legenda partidária mais fácil e que exigirá menos votos para se elegerem. Assim, não é exagero afirmar que o quociente eleitoral faz com que os candidatos preocupem-se muito mais em fazer contas do que analisar os princípios e ideais partidários.
O presidente do diretório do DEM em Bauru, Dudu Ranieri, é enfático ao exemplificar tal situação. “O que tenho observado agora, nessa reta final, é que os candidatos estão preocupados apenas em chegar lá e pouco ligando para a ideologia de partido ou se o grupo que ele pretende entrar é composto por boas pessoas. Atualmente isso é a prática e todo mundo está querendo levar vantagem”, frisou Ranieri.
O democrata lembrou ainda que, ao fazerem os cálculos, os candidatos também procuram partidos que participarão das eleições majoritárias (para prefeito e vice), pois as votações obtidas para esses cargos também colaboram para “engordar” os votos da legenda nas proporcionais. “Na última eleição, perdemos muito porque não éramos majoritários, pois os votos de legenda caíram todos para um outro partido, que elegeu um vereador com 1.400 votos, enquanto tivemos um com 1.800 que não se elegeu”, destacou.
“Os candidatos sempre procuram partidos onde terão chance maior em decorrência do número de corte em votos daquela chapa, além do histórico de votos que a legenda costuma eleger os vereadores, e em virtude do seus potenciais de votos. São essas as contas que eles costumam fazer”, ressaltou o advogado Carlos Braga, líder do diretório do PP em Bauru.
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Projeção errada
Mas escolher um partido mais fácil buscando a eleição nem sempre é garantia que isso se concretize. Isso porque as legendas partidárias podem não atingir votos suficientes para chegar ao quociente eleitoral. É o que adverte Pedro Romualdo, da comissão bauruense do PSB.
“O candidato projeta ter 2 mil votos e analisa a composição da chapa do partido para ver, principalmente, se já há candidatos fortes e bons de votos. Aí ele faz as continhas e vê que em determinada sigla não dá e tenta procurar outro, mas pode cair do cavalo. Às vezes, ele opta por um partido que não atinge o quociente eleitoral”, alerta Romualdo.
O presidente do DEM, Dudu Ranieri, também citou as “armadilhas” do quociente eleitoral. “Recentemente, um candidato me falou que não poderia ficar no DEM porque não iria se eleger, pois no partido há muitos papões de votos. Aí perguntei se ele sabia o que era quociente eleitoral, e ele falou que não. Respondi que ele estava querendo ir para um partido que não faria nenhum vereador porque não vai preencher o quociente eleitoral”, concluiu o democrata.
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‘Filiômetro’ do Café com Política
Nome/Ex-Partido/Novo Partido
Catarina Carvalho/sem partido/PTB
Jurandyr Bueno Filho/PSDB/PPS
Futaro Sato/PDT/PMDB
José C. Rezende/PDT/DEM
Nilson Costa/PPS/PR
Antonio Carlos Garmes/PSDB/PTB
Álvaro de Brito/sem partido/PTB
Seiko Tokuhara/PPS/PTB
Antonio Izzo Filho/sem partido/PDT
Rosa Izzo/sem partido/PDT
José Roberto Segalla/PSDB/DEM
Vaguinho/sem partido/DEM
Fábio Manfrinato/sem partido/DEM
Samuel Fortunato/sem partido/PSDB
Cláudio Petroni/PTB/PMDB
José Humberto Santana/sem partido/DEM
Erlon Junqueira/sem partido/DEM
Antonio C. Barbosa/PMDB/PDT
Antonio Ciocca/sem partido/DEM
Leandro Martins/sem partido/PDT
Marco A. Machado/sem partido/PDT
Rubens Spíndola/sem partido/PDT