11 de julho de 2026
Geral

Quase metade da colheita da cana já é feita por máquinas na região

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

O índice de mecanização nas lavouras de cana-de-açúcar na região já atinge cerca de 50% da colheita. Na região de Ribeirão Preto, esse índice está em 70%. A média estadual é de 45%, segundo a União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Única). Os índices são superiores aos registrados na safra passada. O avanço das máquinas é visto pelas usinas como alternativa para resolver os problemas ambientais provocados pela queima da cana, mas cria problemas sociais.

“Fatalmente, a mecanização da lavoura vai gerar um sério problema social por causa do desemprego, apesar da preocupação em qualificar o trabalhador”, acredita o sociólogo Carlos Alberto Albertuni, professor da Universidade do Sagrado Coração (USC). Segundo ele, não há como qualificar esses trabalhadores a curto e médio prazo. Seria preciso um tempo maior. Ainda mais por se tratar de pessoas, em sua maioria, com um nível de instrução baixo.

O reflexo disso será o aumento da exclusão social e o conseqüente avanço do trabalho informal e até dos ilícitos. Além disso, Albertuni prevê um aumento na demanda pelos programas sociais do governo, como o Bolsa-Família e outros.

Para Maurício Lima Verde, presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), a mecanização significa o progresso de um país, mas sob o aspecto social é um passo atrás. “Quase a metade da colheita está mecanizada e ela vai avançar ainda mais porque as indústrias estão crescendo”, justifica. “O problema é que os milhares de trabalhadores que esperam com ansiedade o início da safra não vão ter onde trabalhar”, prevê. Segundo Lima Verde, somente em Bauru existem cerca de 6 mil trabalhadores rurais.

De acordo com a avaliação do professor José Marangoni Camargo, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Marília, se o crescimento econômico brasileiro fosse mais substancial seria mais fácil absorver a mão-de-obra desempregada pela mecanização da agricultura. “Aí sim a idéia da requalificação faria mais sentido. Do jeito que está, vamos requalificar esses trabalhadores para quê?”, questiona.

Segundo ele, a questão não é só a requalificação da mão-de-obra, mas onde conseguir novo emprego para esse contingente de trabalhadores em um País que cresceu muito pouco economicamente nos últimos 25 anos. “É um problema macroeconomico. Não adianta pensar em uma política voltada para esse público se a economia como um todo não avança.”