As pessoas estão hoje mais preocupadas em atender seus desejos do que antigamente. Para a psicóloga Kátia Villanova Dal Médico, elas estão colocando a realização pessoal em primeiro plano, diferentemente do que ocorria no passado, quando as famílias tinham gerações de médicos, engenheiros, advogados, jornalistas e outras profissões. Essa “herança genética” ainda existe, mas já não é tão comum. Segundo Kátia, os próprios adolescentes estão mais conscientes do que querem ser e isso nem sempre tem a ver com o que o pai ou a mãe são ou foram.
De acordo com a psicóloga, as pessoas que têm coragem de mudar o rumo de suas vidas (o que inclui tomar decisões difíceis) normalmente encontram paz interior quando descobrem suas verdadeiras vocações, mesmo ganhando menos do que poderiam em outras profissões.
Ela lembra que é importante também nesse processo de procura pelas escolhas certas que as famílias aceitem a decisão tomada. Segundo Kátia, as famílias tradicionais, mais ricas, são as que mais resistem em aceitar que os filhos tomem um rumo diferente do que os pais tomaram ou desejam que eles (filhos) sigam.
“As pessoas estão mais dispostas às mudanças, mas as famílias ainda continuam resistentes”, observa a psicóloga. Kátia acredita que a situação só vai mudar quando os jovens e adolescentes de hoje forem os pais de amanhã.
Para quem está em dúvida sobre o rumo que deve tomar, ela recomenda analisar cuidadosamente os prós e contras da decisão, para não ser surpreendido mais tarde. E a escolha tem de ser individual. “Nada de ficar perguntando para os outros o que eles acham disso ou daquilo. Se tiver dúvida, procure ajuda na terapia”, recomenda.
Para o economista Geraldo Pinelli, antes de iniciar um negócio novo, as pessoas precisam conhecer muito bem o ramo em que estão entrando. Para isso, ele recomenda conversas francas com consultores do Sebrae ou com alunos que formam a Empresa Júnior da Instituição Toledo de Ensino (ITE), que presta assessoria gratuita aos micros e pequenos empresários.
“Cada negócio tem seu risco. Ele precisa ser muito bem planejado para não colocar tudo a perder”, orienta Pinelli. Ele cita como exemplo do que a precipitação pode provocar, amigos bancários que aderiram ao Programa de Demissão Voluntária (PDV) e, na ânsia de abrir negócio próprio, em busca de lucro, deram-se mal e perderam praticamente tudo que haviam recebido do programa.
Na opinião da analista de recursos humanos Renata Caputo, toda mudança gera ansiedade, mas ela é necessária, seja na vida pessoal ou na profissional. “Penso que para que essas mudanças sejam menos traumáticas, a melhor saída é saber primeiro o rumo que quero dar para essa nova etapa, saber aonde quero chegar”, ensina.