A interpretação imediata que se tem da televisão é que se trata de um meio de comunicação de massa e que tem amplo domínio sobre a opinião pública. É na telinha de todos os dias que no aconchego do lar as famílias buscam informação, entretenimento e um pouco de alienação para anestesiar a angústia da rotina e para amortecer as infindáveis contas do final do mês.
Assim como escreveu George Orwell em seu livro “1984”: liberdade é escravidão; nós, telespectadores ferrenhos da nossa “tele-tela”, vivemos sob a dependência do Grande Irmão, “big Brother”, ditador que tudo vê e tudo sabe. Dessa forma, para contextualizar a situação, a máquina manipuladora atualmente é o poder agregado à imagem.
Dessa forma, é latente que a força que move a televisão vem do poder da imagem. Por meio dela se criam ídolos, vendem-se produtos e transformam-se costumes. O poder irrevogável da imagem é o grande trunfo do comércio e da indústria, enfim, da propaganda.
É por meio do uso da função conativa da linguagem que a industria televisiva valoriza produtos. Ou seja, utiliza da persuasão com os verbos compre e use juntamente com argumentos de atributo, como a imagem de uma pessoa famosa vinculada ao produto e com a descarada proposta: use esse creme, porque a Xuxa usa. Portanto, a imagem comercial dos produtos induz à supervalorização dos consumidores que utilizam suas mercadorias, disciminando quem não use algum produto num certo contexto.
Trata-se, portanto, de uma escravização psicológica. A tevê vende informação e entretenimento em troca da divulgação de produtos, condiciona seus telespectadores ao consumo e transporta a imagem a um patamar exorbitante. No entanto, este ainda é um dos poucos meios de informação imediata e universal. Assim, nos deixar condicionar apenas pelo ponto de vista da telinha seria um erro incondicional. É necessário mais acesso de cultura erudita (livros, jornais, museus), valorizar o homem, para que a imagem televisiva não o esvalorize.
Camila Palma Amélio - estudante - RG 41.048.790-9