08 de julho de 2026
Bairros

Senai: acompanhando as demandas locais

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

A história da indústria em Bauru está intimamente ligada à história do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Afinal, a unidade tem 60 anos de existência, ao longo dos quais vem ajudando a indústria bauruense a se desenvolver. Por isso, não dá para falar em formação de mão-de-obra para a indústria sem citar o Senai. A unidade de Bauru foi a segunda do Interior do Estado, depois de Campinas.

De acordo com o diretor do Senai, Reinaldo Munhoz, as indústrias instaladas em Bauru necessitam da mão-de-obra qualificada, razão pelo que a unidade acompanha as demandas dessas empresas para que não fiquem prejudicadas na hora de contratar funcionários especializados. “O Senai costuma trabalhar sempre alinhado com as demandas tecnológicas de crescimento”, afirma.

Isso significa que o Senai atende o que a indústria exige. Munhoz destaca que, no período em que as empresas adotaram uma postura mais conservadora, de linha de produção, da mesma forma a escola manteve-se no esquema para manter essa linha funcionando bem. “Nos últimos 20 anos nós vemos a indústria repensando suas práticas, seus arranjos produtivos, e o Senai então, mais uma vez, começou a buscar um alinhamento neste cenário”, explica Munhoz.

Isso significa que aqueles cursos tradicionais, já identificados com a história do Senai, passaram por reformulações para que as indústrias não perdessem o compasso da economia. Para isso, Munhoz aponta que os próprios empresários definem o que precisam para seguir em frente, ou seja, eles mostram os caminhos, as necessidades, e a aprendizagem industrial avança por esses caminhos apontados pelas empresas.

Para tanto, são criados comitês tecnológicos setoriais, que, segundo ele, visam conhecer quais as demandas de cada setor da indústria bauruense. “Então, nós temos o comitê da alimentação, do setor de baterias, construção civil, automobilística, gráficas, entre outros comitês”, destaca.

O diretor explica que são realizadas discussões com empresários e executivos dos respectivos setores e dimensiona-se qual o perfil dos profissionais que irão atender as demandas. “Hoje nenhuma oferta de curso sai dessa metodologia, e aqueles anteriores passaram também por uma reformulação, discutindo esse perfil com a base demandante”, frisa.

Dessa forma, a margem de erro é bem menor, porque se discute e dimensiona os cursos, definindo qual o perfil ideal com os setores organizados. Por si só, esse tipo de atitude também é uma evolução, já que nos primórdios do Senai as decisões eram tomadas na matriz, sem levar em consideração quais as necessidades de cada região. Era homogêneo, definido na Capital e estendido para o Interior.

Atualmente, com o processo de interiorização da indústria, essa realidade mudou e as decisões foram descentralizadas, já que a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) tem como meta tornar a indústrias do interior competitivas.

Desafio

Um dos principais desafios do Senai atualmente é ampliar suas ações para além dos muros da escola. De acordo com Reinaldo Munhoz, a intenção é levar o serviço até a periferia, para dentro das escolas públicas, associações de moradores, entidades que trabalham com inclusão, para democratizar o acesso aos cursos profissionalizantes. “Nós queremos massificar o Senai”, afirma.

A iniciativa de massificar é importante, inclusive para atender novas demandas que devem surgir. O impacto do Senai de Bauru atende a demanda industrial de 19 municípios. São 2.600 alunos, divididos em vários cursos, que por sua vez são separados por áreas tecnológicas.

Na aprendizagem industrial, Bauru atende nos setores automobilístico, eletro-eletrônico e metal-mecânica. Em termos de cursos técnicos, setores gráfico, automobilístico e eletro-eletrônico, sendo que a partir de janeiro se estenderá para a construção civil.