09 de julho de 2026
Internacional

Enviado da ONU encontra dissidente presa em Mianmar

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Mianmar - O enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) a Mianmar, Ibrahim Gambari, encontrou ontem a líder Aung San Suu Kyi, principal figura dissidente do regime militar e ganhadora do prêmio Nobel da Paz. Gambari disse que ainda esperava encontrar ontem mesmo o chefe da junta militar, Than Shwe, antes de deixar Mianmar.

Aung San foi trazida de sua prisão domiciliar para encontrar o enviado, em uma concessão inesperada da junta militar. Anteontem, os EUA expressaram preocupação de que o encontro não ocorresse. O encontro com a líder durou cerca de 90 minutos, mas detalhes da reunião não foram divulgados. Os protestos em Mianmar, um país da Ásia meridional, começaram quando houve um aumento no preço dos combustíveis em agosto e ganharam atenção mundial com o engajamento de monges budistas nas manifestações.

O caso se tornou alvo da preocupação mundial quando a junta militar passou a reprimir os protestos com uso de força. A repressão fez com que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, enviasse Gambari ao país com urgência.

O enviado chegou ao país ontem e foi diretamente à capital Nay Pyi Daw, no interior do país, onde se encontrou com membros da junta militar que governa o país desde o final da década de 90. Por volta de 45 anos, de diferentes maneiras, Mianmar é controlado por militares.

O enviado pernoitou na capital. Enquanto Gambari realizava os encontros, milhares de militares praticamente bloquearam as maiores cidades do país. Há relatos de que pessoas foram presas durante a noite, como mais uma tentativa do regime silenciar as manifestações contrárias.

Um diplomata asiático, com a condição de não ter seu nome revelado, afirmou o número de militares que guardavam as ruas em Yangun era de aproximadamente 20 mil, após uma chegada de reforços durante a madrugada.

Ontem, o papa Bento XVI disse estar preocupado com a situação em Mianmar. Cerca de 1% dos aproximadamente 54 milhões de pessoas de Mianmar são católicos. Outros 3% pertencem a outras denominações cristãs. “Eu sigo com apreensão estes eventos muito sérios”, disse o papa ontem em sua residência de verão nas proximidades de Roma.